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Liceu Francês: Turma de 1966 já deu três ministros

Em 1966, o 6.º ano do liceu Charles Lepierre gerou três futuros ministros. Todos de governos socialistas. Adivinhe quem são...

José Pedro Castanheira (www.expresso.pt)

Não haverá no país muitas escolas secundárias que se possam gabar de ter tido entre os seus alunos três futuros ministros. Ainda por cima pertencentes ao mesmo curso. Pois foi o que aconteceu com o Liceu Francês Charles Lepierre, em Lisboa. A fotografia, de 1966, é de um grupo de alunos do então 6º ano do ensino secundário (actual décimo). Não pertencem todos à mesma alínea: as raparigas, uma vez concluído o 7º e último ano liceal, foram quase todas para Letras, enquanto os rapazes se dividiram entre Economia e Direito. O que a todos une é o facto de terem algumas disciplinas em comum, como Filosofia e a inesquecível Organização Política e Administrativa da Nação. Antes ainda de passar às apresentações, de notar mais uma coincidência: todos pertence(ra)m a governos socialistas.

O mais conhecido dos três é o segundo de pé a contar da esquerda (pois claro...). É Eduardo Ferro Rodrigues e foi ministro do Trabalho do I Governo de António Guterres, a quem viria a suceder como secretário-geral do PS.

De pé, à direita (o único de óculos), é Augusto Mateus, que viria a ser ministro da Economia do mesmo executivo (após ter sido secretário de Estado da Indústria). Ferro e Mateus tiveram percursos semelhantes: o liceu, o governo, mas também a faculdade (o actual ISEG) e o já extinto Movimento de Esquerda Socialista (MES), de que foram dirigentes na fase mais esquerdista. Mateus, porém, não mais se inscreveu em partidos, tendo integrado o governo como independente. Igualmente independente, mas do Governo José Sócrates, é a jovem, devidamente assinalada, na altura conhecida por Isabel de Melo Veiga. O leitor já adivinhou quem é?

Mais uma ajuda: pertence ao actual Executivo. Ah! - e é escritora de sucesso. Só que mudou de apelido, por via do casamento. Exacto: é Isabel Alçada, a novel ministra da Educação.

O terceiro, em pé, à direita, é Vasco Grácio, um designer gráfico que, curiosamente, é filho de um também governante socialista, Rui Grácio, secretário de Estado da Orientação Pedagógica de vários governos provisórios. Entre Mateus e Grácio está José Nunes de Carvalho, que legendou centenas de filmes e é director de serviços no Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias, no Luxemburgo. À direita de Ferro Rodrigues está João Bernardo Guedes, um dos dois brasileiros da turma, que fez carreira num dos maiores bancos do mundo. Também brasileira é Teresa Costa, a quarta da esquerda em baixo: filha do escritor Odylo Costa Filho (ao tempo adido cultural em Lisboa), dedica-se a projectos de filantropia.

Ainda em baixo, a primeira da direita é a cantora lírica e actriz Helena Afonso; ao lado, Manuela Prates, bibliotecária da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa; na ponta esquerda, José Manuel Oliveira Monteiro, provedor do cliente da CP.

No mesmo liceu, mas mais tarde, estudou um outro ministro do Sócrates: Manuel Pinho. Nessa altura, já tinha saído do Charles Lepierre outro futuro ministro: Jorge Braga de Macedo, das Finanças, mas de Cavaco Silva.

Texto publicado na edição do Expresso de 14 de Novembro de 2009