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Julgamento do jornalista angolano Rafael Marques começa hoje

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O livro "Diamantes de Sangue", publicado em 2011 pela Tinta da China, valeu ao ativista um processo por "denúncia caluniosa", interposto por sete generais angolanos e duas empresas de diamantes. Editora disponibiliza livro gratuitamente na Internet.

O julgamento do jornalista e ativista angolano Rafael Marques começa esta terça-feira em Luanda, sob a acusação de denúncia caluniosa, na sequência do livro "Diamantes de Sangue  - Corrupção e Tortura em Angola". A obra, publicada em 2011 pela editora portuguesa Tinta da China, revela alegados abusos dos Direitos Humanos na região diamantífera da Lunda-Norte, supostamente praticados por militares angolanos e empresas privadas. 



Em resposta, sete generais, incluindo o ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, conhecido como 'Kopelika', e os representantes de duas empresas de diamantes (Sociedade Mineira do Cuango e a ITM-Mining) apresentaram queixa de Rafael Marques. 



Não é a primeira vez que o jornalista que tem denunciado alegados casos de corrupção e violações de Direitos Humanos no país enfrenta as autoridades de Angola, recorda Amnistia Internacional. A secção portuguesa da AI lançou uma petição, apelando a Passos Coelho e ao ministro dos Negócios Estrangeiros que "encorajem o Governo de Angola a retirar a acusação contra Rafael Marques". A Amnistia Internacional considera que o jornalista está a ser "alvo de perseguição por exercer o seu direito à liberdade de expressão protegido pelo direito internacional".



Também a editora de Rafael Marques acabou por ser constituída arguida no mesmo processo. Em solidariedade com o autor, a Tinta da China decidiu disponibilizar gratuitamente o livro, que pode ser aqui descarregado.  

"Enquanto responsável pela editora, a melhor forma que encontro para apoiar Rafael Marques na sua luta é disponibilizar a partir de hoje, o livro em formato digital para que todos possam lê-lo e perceber o que está na base de um processo que pode vir a colocar o autor atrás das grades", explica Bárbara Bulhosa. 

Em Portugal, o processo foi arquivado pelo Ministério Público.