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José Sócrates gastou €9,2 milhões de Santos Silva

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O Ministério Público sustenta que do dinheiro emprestado a Sócrates por Carlos Santos Silva, 3,5 milhões de euros foram gastos na aquisição e remodelação de um apartamento em Paris

Alberto Frias

Dinheiro terá financiado, entre outras operações, a aquisição e obras no apartamento em Paris e a compra de direitos televisivos do campeonato espanhol, e beneficiou várias pessoas próximas do ex-primeiro ministro. Juízes não acreditam na "boa vontade" dos "empréstimos" do amigo de José Sócrates.

Afinal, em quanto beneficiou José Sócrates da "boa-vontade" do amigo Carlos Santos Silva, que o Ministério Público (MP) suspeita ser o "testa de ferro" de um património de 23 milhões de euros que pertencerá, alegadamente, ao ex-primeiro ministro?

Na edição desta sexta-feira, o "Diário de Notícias" expõe os números apresentados pelo MP: 3,5 milhões de euros na aquisição e remodelação de um apartamento em Paris; 2,6 milhões de euros para a compra dos direitos televisivos da Liga espanhola de futebol através de uma empresa de Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT e atual presidente da SAD do Belenenses; 712 mil euros para a compra de três apartamentos à mãe de Sócrates, mais 1,2 milhões para a ex-mulher deste, Sofia Fava; 672 mil euros de entregas em numerário (os tais "empréstimos pessoais", segundo a defesa) ao ex-primeiro ministro; 87,5 mil euros para o motorista João Perna, e 92 mil para Sandra Santos, uma amiga na Suíça; somem-se 170 mil euros para promover o livro "A Confiança no Mundo" e 200 mil em viagens.

Perdeu-se nas contas? Damos-lhe uma ajuda: 9,2 milhões de euros. É este o valor que José Sócrates terá gasto, desde 2008, das contas em nome de Santos Silva, segundo o MP.

Nas alegações entregues no Tribunal da Relação, que confirmou esta semana a prisão preventiva de Sócrates, o procurador deita por terra a tese dos "empréstimos" e da "boa vontade" do amigo do ex-primeiro ministro, antigo administrador do grupo Lena.

Sócrates, defendeu o procurador com base nas escutas telefónicas, não pedia dinheiro, exigia-o. No acórdão que manteve o antigo primeiro-ministro em prisão preventiva, revelado esta quinta-feira pelo jornal "i", os desembargadores Agostinho Torres e João Carrola consideram "completamente inaceitável" o argumento de que a movimentação de milhões entre ambos era uma questão de amizade. "Embora na vida tudo seja possível, pelo menos no plano da teoria e da efabulação, ficámos 'incrédulos' com a afoiteza da ingenuidade daquele argumento e a 'altruísta' amizade".



Sobre as suspeitas em torno do estilo de vida luxuoso de Sócrates, considerado um potencial insolvente, os juízes recorreram a um conhecido provérbio popular: quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem.