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Jacarandá e Katmandu já estão "à solta"

Os linces foram libertados num cercado numa herdade próxima de Mértola

José Caria

Ela veio do centro de reprodução em cativeiro de Silves, no Algarve. Ele do de Granadilha, em Espanha. Dois linces ibéricos foram soltos esta terça-feira de tarde num cercado numa herdade alentejana, próxima de Mértola.

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Os primeiros dois linces ibéricos saídos de centros de reprodução em cativeiro foram esta terça-feira libertados num cercado numa herdade próxima de Mértola. É a primeira vez que tal acontece em território nacional. Por isso, emocionado, o ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território afirmou tratar-se de "um momento de grande felicidade". Há mais de 30 anos, desde a célebre campanha "Salvem o lince e a serra da Malcata" que se procuravam medidas para conservar esta espécie criticamente em risco. Os primeiros planos de conservação começaram a emergir nos anos 90 e há cerca de 10 anos foi assinado um acordo ibérico para que o projeto tivesse pernas para andar em conjunto com Espanha. 

Quando se abriu a portinhola onde se encontrava Jacarandá, a fêmea de três anos desatou a correr por entre fotógrafos e múltiplos observadores para se esconder no matagal. Passados dois minutos, mais relutante, saiu Katmandu, também em direção ao matagal da herdade das Romeiras, a poucos quilómetros de Mértola. 

O cercado de dois hectares numa propriedade privada, no Parque Natural do Vale do Guadiana, vai ser o novo lar destes dois espécimes do felino mais ameaçado do mundo, pelo menos até fevereiro. A eles juntar-se-ão mais quatro ou cinco casais nos próximos seis meses. Depois, se tudo correr bem poderão reproduzir-se e procurar novos habitats, mas só poderão ter a" porta" aberta depois de terminada a época de caça, em fevereiro. 

Jacarandá, uma fêmea com três anos, proveniente do Centro Nacional de Reprodução de Linces Ibéricos (CNRLI) de Silves, e Kathmandu, um macho de dois anos vindo de um dos quatro centros idênticos em Espanha, vão juntar-se numa área vedada de dois mil hectares. A eles se irão juntar outros linces oito linces até à primavera. 

A possibilidade destes animais serem soltos nesta herdade resultou de um Pacto Nacional para a Conservação do Lince-Ibérico assinado, em julho passado, entre o secretário de Estado do Ordenamento do Território, Miguel de Castro Neto, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e 20  entidades  - entre proprietários, agricultores, caçadores e organizações não-governamentais do ambiente.  

Jorge Moreira da Silva sublinhou hoje que a conservação do lince ibérico também "tem a vantagem de contribuir para o desenvolvimento económico de uma região desertificada, atraindo visitação e a fruição da biodiversidade".