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Internacional: Classe média duplica e põe em causa a democracia


PREPARE-SE. Nos próximos cinco anos, o grande acontecimento da política internacional será o crescimento da classe média em todo o mundo e a sua fixação nas cidades.

Em 2020, a população mundial terá mais um bilião de pessoas. Este número tende a assustar-nos. Mas o aumento do número de pessoas que vão passar a pertencer à classe média durante o mesmo período - entre um bilião e meio e dois biliões de pessoas - é muito mais impressionante. Estamos a falar da duplicação da classe média mundial num prazo de dez anos. Em 2015, este processo estará bastante avançado.

O crescimento desta nova classe média será um fenómeno essencialmente urbano. A história mostra que os países só enriquecem quando a maioria da sua população vive em cidades.

Na entrada do século XX, apenas 14 por cento da população mundial vivia em cidades. 2008 foi um marco importante na evolução da urbanização. Esse foi o ano em que, pela primeira vez na história, mais de metade da população mundial passou a viver em cidades. Nos anos que aí vêm, esta tendência será cada vez mais forte.

O crescimento das classes médias a nível mundial e a sua urbanização terá grandes consequências políticas e económicas.

Do ponto de vista político, as classes médias tendem a ter uma relação paradoxal com o futuro. De um lado estão as oportunidades. Do outro está o futuro e a incerteza. As primeiras são apetecíveis. As segundas não são. O que as classes médias vão querer acima de tudo em 2015 é protecção em relação ao futuro e à incerteza. Nenhum poder político que queira continuar integrado na economia e na política daqui para a frente estará em condições de garantir essa protecção.

O aumento do número das classes médias coincidirá com um período de maior instabilidade e ansiedade social. Esta instabilidade e ansiedade vai gerar uma enorme pressão por parte da sociedade para que os governos e as administrações públicas sejam muito mais competentes. O consentimento e o apoio dos governados será muito mais importante do que é hoje.

Vêm aí anos exigentes para as democraciasliberais. Mas vêm também anos muito difíceis para as ditaduras e regimes autoritários. Do ponto de vista económico, vamos assistir a uma enorme expansão da actividade a nível internacional. O crescimento das classes médias e das cidades representa a maior oportunidade de negócio das últimas décadas. 2015 promete ser muito diferente daquilo a que estamos habituados.

Este artigo foi publicado na Revista Única de 10 de Abril.