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Inteligência colectiva: A sabedoria que vem da Net

Sabia que um grupo consegue tomar decisões mais inteligentes do que os seus elementos individualmente? António Câmara, professor universitário e director executivo da Ydreams explicou como e porquê, numa conferência na Culturgest. ((Veja vídeo no fim do texto)

Carlos Abreu (www.expresso.pt)

No futuro todos os portugueses vão poder participar activamente em decisões tão importantes como o investimento no comboio de alta velocidade (TGV), na contrução de um novo aeroporto ou de novas auto-estradas, e a sua intervenção enquanto grupo contribuirá de forma decisiva para que sejam encontradas as soluções mais inteligentes.

Esta é uma das principais conclusões da segunda conferência de António Câmara, "Visões sobre o futuro", que esta quarta-feira, 11, na Culturgest, em Lisboa, teve por tema a inteligência colectiva.

Trata-se de um fenómeno há muito conhecido, mas que nos últimos dez anos tem vindo a ganhar uma importância crescente perante a emergência de um novo paradigma aplicacional, a que se convencionou chamar Web 2.0, através do qual os internautas são chamados a participar de uma forma activa na produção de informação.

"Defino inteligência colectiva como grupos formados por indivíduos agindo colectivamente naquilo que parece ser um acto inteligente. Dito isto a inteligência colectiva existe há milhares de anos, mas apenas na última década tudo indica que emergiram novas formas de inteligência colectiva." Professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), EUA

Da blogosfera ao Google

Os blogues terão sido uma das primeira formas de expressão mais visível, lembrou Cristina Gouveia da Ydreams (convidada por António Câmara), mas os wikis, entre os quais se destaca a popular enciclopédia online Wikipedia , ou os sites de partilha de links catalogados com palavras chave (tags) atribuídas pelo próprio utilizador (social bookmarking), como o Delicious, também são um bom exemplo.

Se no primeiro caso (Wikis) os artigos resultam da paticipação de qualquer internauta, o segundo (Delicious) têm-se revelado um bom aliado na pesquisas sobre temas mais específicos ou quando o internauta sabe precisamente o que procura.

Com efeito, ainda que os resultados do popular motor de pequisa da norte-americano Google também sejam um produto de inteligência colectiva, tal como defendeu o director executivo da Ydreams, na medida em que resultam, entre muitos outros aspectos, da quantidade de links que existem na Web para uma determinada página, a verdade é que os utilizadores são sistematicamente bombardeados com milhares de registos.

Mas é da conjungação deste tipo de aplicações que estão a emergir projectos (os chamdos mashups) que potenciam de forma considerável os fenómenos de inteligência colectiva (ver definição na caixa).

Dois exemplos, entre outros, avançados pelo professor da Universidade Nova: O "Real Time Rome" e o "Open Street Map".

No primeiro caso a informação recolhida a partir de telemóveis, autocarros e táxis permite conhecer em tempo real a circulação na capital de Itália e desta forma ajudar os cidadãos a construir um futuro mais sustentável.

O segundo conjuga a tecnologia wiki com um mapa digital, que pode ser editado por qualquer internauta.

Na próxima quarta-feira, 17, António Câmara falará sobre objectos inteligentes. Sabia que no futuro exitirão garrafas que encolhem â medida que vão ficando vazias?