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Inquérito da Deco. Portugueses desconhecem significado dos prazos de validade dos alimentos

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Se o prazo de validade da carne, peixe, enchidos, ovos, leite do dia, bolos com creme, queijo fresco ou iogurtes deve ser respeitado, já a massa ou o café, por exemplo, podem ser consumidos depois daquele prazo, sem riscos de intoxicação alimentar, diz a Deco

Tiago Miranda

Quarenta por cento dos inquiridos deitam fora alimentos que podem ser consumidos  e 14% deitam fora alimentos cozinhados em excesso. Conhecer o significado das designações do prazo pode diminuir o desperdício alimentar.

Um estudo da Associação de Defesa de Consumidores (Deco) revela que mais de metade dos portugueses confessa deitar para o lixo alimentos fora do prazo de validade. Dos 1725 consumidores dos 25 aos 74 anos inquiridos entre setembro e novembro do ano passado, dois terços não sabem distinguir entre "consumir até" e "consumir preferencialmente antes de".

É que, diz a Deco, enquanto os perecíveis com a indicação "consumir até" devem ser deitados fora no final do prazo, os produtos que indicam "consumir preferencialmente antes de" podem ser consumidos após o prazo de validade rotulado na embalagem, se estiverem em boas condições de conservação, pois o prazo indica a duração mínima do produto.

Assim, o prazo de validade da carne, peixe, enchidos, ovos, leite do dia, bolos com creme, queijo fresco ou iogurtes deve ser respeitado, mas já a massa ou o café, por exemplo, podem ser consumidos depois daquele prazo sem riscos de intoxicação alimentar, mesmo que tenham o sabor ou textura um pouco alterado. A embalagem deve estar ainda fechada e o alimento bem guardado.

Ainda segundo a Deco, o desconhecimento destas diferenças "explica que 40% dos inquiridos deitem fora produtos cujo prazo preferencial de consumo foi ultrapassado. Tal poderá constituir um desperdício desnecessário". Quanto aos alimentos cozinhados, 14% admitem deitar fora o que cozinham em excesso, quando "a maioria dos pratos cozinhados e das sopas pode ser congelada durante três meses", refere a associação.

Outros dados do estudo analisam os hábitos de compras alimentares, concluindo que sete em cada 10 inquiridos optam pelo hipermercado e seguem o critério do preço, seguindo-se a proximidade e a variedade. Apenas um quinto dos inquiridos opta frequentemente por produtos em promoção, perto do fim do prazo.

Áinda em relação ao hábitos de compras dos portugueses, verifica-se que apenas 4% têm hábito de o fazerem online, apesar de a Deco recomendar esta opção pois além da poupança de tempo em deslocações e filas, o risco de compra de produtos e novidades desnecessários é menor.

Logo a seguir à opção do preço, os consumidores procuram também alimentos saudáveis e saborosos, enquanto a preocupação ambiental surge apenas em 5.º lugar nos motivos de compra. A falta de conhecimento ou desconfiança sobre os rótulos "orgânico" ou "biológico" será uma das razões, a par da falta de produtos rotulados com estas características.