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Incentivar o beijo e elogiar em excesso faz mal às crianças?

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ESTUDO Investigações em Espanha e na Holanda garantem que os pais devem ter uma atitude moderada

FOTO D.R.

Investigadores afirmam que os pais devem ser moderados quando insistem que os filhos beijem outras pessoas. Demonstrações de amor também carecem de bom senso.

Há a ideia popular de que os pais são as pessoas que sabem o que é melhor para os filhos. Peritos neste domínio garantem que nem sempre é assim. Esta terça-feira foram noticiadas duas novas abordagens sobre o beijo como forma de cumprimento e a demonstração dos afetos dos pais aos filhos.

Ao diário espanhol El País, a psicóloga e especialista em inteligência emocional Elena Domínguez afirmou que "não se deve coagir as crianças a dar beijos a estranhos, porque isso é forçá-las a superarem uma barreira natural que mantêm com o desconhecido e que as protege dos perigos". A explicação surgiu na sequência de uma discussão iniciada com uma mensagem da jornalista e escritora colombiana Ana Hanssen.

Num site dedicado às crianças, Ana Hanssen escreveu que não pedissem beijos aos seus filhos. Na sua opinião, as crianças não devem ser forçadas a fazê-lo por razões que vão desde do respeito e intimidade à própria segurança. Deve ser a criança a decidir como mostrar afeto, pois o beijo é algo íntimo para elas. Além disso, os adultos também não gostam de ser obrigados a beijar os outros.



Fragilidade face a abusos

Ana Hanssen afirma ainda que existem vários estudos que demonstram que as crianças que são forçadas a beijar são mais vulneráveis a sofrer abusos sexuais. A psicóloga Elena Domínguez concorda: "A criança pode pensar que deve fazer aquilo que os outros pedem e que estranhos podem exercer controlo-o sobre o seu corpo."

Por sua vez, na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, que o Público cita, investigadores estabeleceram uma associação entre a glorificação dos filhos e um comportamento narcisista. "Quando os pais dizem às crianças que elas são mais especiais do que outros, elas acreditam. Isso poderá não ser bom nem para as crianças nem para a sociedade", afirma o co-autor do estudo e investigador da Universidade Estadual do Ohio, EUA, Brad Bushman.

Os autores do trabalho - desenvolvido na Universidade de Utrecht, na Holanda, com 565 crianças dos sete aos 11 anos - , garantem que o narcisismo está aumentar e que é distinto da autoestima. Entre os traços narcísicos mais comuns hoje em dia, estão usar os outros para ganhos próprios, por se achar melhor e com mais direitos, e a constante procura de aprovação e elogio.

Por cá, os pediatras têm defendido o recurso ao bom senso.