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Hospital Amadora-Sintra com urgência reforçada no réveillon

Nuno Botelho

Administração já conseguiu contratar três tarefeiros para dar apoio à equipa de banco. Vão receber 45 euros por hora, mais 15 euros do que o limite máximo por lei 

Há melhoras no prognóstico sobre o funcionamento da Urgência do Hospital Amadora-Sintra nos últimos dias do ano. Os responsáveis pela unidade já conseguiram contratar três médicos em regime de prestação de serviços para apoiar a equipa escalada no réveillon.  

De banco estarão, pelo menos, seis médicos, "um número suficiente para responder a um afluxo normal de doentes", afirma o assessor de imprensa, Paulo Barbosa. Os clínicos aceitaram trabalhar em troca de uma remuneração acima do valor máximo por hora estabelecido por lei. Ao invés dos 30 euros pagos aos especialistas, vão receber 45 euros.  

Também acima da tabela, vão ser pagos os especialistas do Amadora-Sintra que aceitaram trabalhar na Urgência durante o final do ano. "Vamos aumentar as horas extras entre os nossos profissionais e o hospital vai pagar mais neste período", diz a diretora da Urgência, Teresa Branco. Na prática, será um esforço conjunto para dar resposta a um período habitualmente com grande carência de médicos e também de enfermeiros.   

Ao Expresso, os gestores do hospital adiantaram estar confiantes sobre a possibilidade de serem feitas novas contratações nos próximos dias. O objetivo é perfazer o mais depressa possível os dez contratos de prestação de serviços autorizados pelo ministro da Saúde, Paulo Macedo, para evitar a repetição da incapacidade de resposta da Urgência durante a véspera e o dia de Natal. Dos cinco médicos que deveriam ter estado na linha da frente só dois compareceram: um lugar ficou vazio por falha da empresa de trabalho médico em regime de prestação de serviços e dois médicos adoeceram.  

Ao novos médicos 'tarefeiros' deverão juntar-se mais sete para o 'quadro' do hospital e, por isso, com uma contratação mais demorada e que deverá concretizar-se só em janeiro.



Centros de saúde abertos até as 22 horas

 
A par com o reforço das equipas, mesmo que ainda muito aquém, deverão surtir efeito as restantes medidas excecionais autorizadas pela tutela para garantir cuidados a todos os doentes que entrarem na Urgência do Amadora-Sintra durante o final desta semana. A saber, o aumento da capacidade de internamento de doentes com a abertura de mais 30 camas ou o cancelamento, temporário, de transferências de doentes vindos de outros hospitais de Lisboa.

Esta terça-feira, o Ministério da Saúde acrescentou ainda o alargamento das consultas não programadas nos centros de saúde e unidades de saúde familiar da região de Lisboa até as 22 horas.  A deliberação, feita pelo secretário de estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, vai vigorar nos dias 30 e 31 deste mês e no dia 2 de janeiro de 2015. Ou seja, o feriado do primeiro dia do novo ano será mantido também para os profissionais dos cuidados primários.

A medida, que poderá ser extensível a outras regiões do país caso a procura o justifique, visa reforçar a capacidade de resposta fora da rede hospitalar face à atual vaga de frio. O governante salienta, ainda assim, que "em caso de gripe ou de outra doença aguda, aconselha-se os utentes a recorrerem também à linha Saúde 24 antes de se dirigirem à Urgência hospitalar".   

O alargamento das consultas não programadas nos cuidados primários estava previsto para um eventual aumento de doentes durante a epidemia de gripe, que ainda não teve início, e acabou agora por ser antecipado para dar resposta aos utentes que venham a adoecer devido ao frio intenso que se faz sentir por todo o país. Caberá agora à Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, "desenvolver todos os esforços" para operacionalizar as orientações ministeriais.

A diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde Lisboa Norte, Manuela Peleteiro, admite que o alargamento do horário não será fácil "por não ter havido tempo de programação", mas que será exequível.  A área de influência do Hospital Amadora-Sintra será uma das prioritárias.

O fecho das unidades de cuidados primários nas zonas de Sintra e da Amadora na véspera e no dia de Natal, devido à tolerância de ponto dada pelo Governo, tem sido apontado como um dos motivos que levou um número inesperado de doentes, sobretudo idosos, à Urgência daquele hospital, bloqueando o atendimento. Os casos menos graves chegaram a registar mais de 20 horas de espera pelo atendimento e todas as camas do hospital ficaram ocupadas.

Paulo Macedo pediu também, entretanto, à ARS de Lisboa um levantamento sobre eventuais carências na Urgência e no Internamento, por exemplo, nos hospitais da região para que possam ser rapidamente solucionadas. "O Ministério da Saúde quer dar segurança às pessoas", justifica o gabinete de Paulo Macedo, que há poucas semanas havia garantido que os hospitais estavam preparados para responder à população durante a época festiva, comummente com falta de médicos e de enfermeiros no banco - a primeira linha de resposta na Urgência.