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Hospitais de Coimbra ultrapassam São João

Estudo da Escola Nacional de Saúde Pública atribui pela primeira vez a Coimbra o melhor desempenho. São João está a seguir. Viseu destaca-se e Lisboa não surpreende.

Ricardo Marques e Vera Lúcia Arreigoso

A medicina hospitalar pública de Coimbra - agora no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra - é pela primeira vez eleita a melhor pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP). O resultado destrona o Centro Hospitalar de São João, no Porto, líder em cinco dos oito anos do estudo e continuadamente desde 2009.

Recorrendo a dados sobre mortalidade, complicações e readmissões entre os doentes que em 2012 estiveram internados em 41 hospitais do Serviço Nacional de Saúde, a ENSP atribui a classificação máxima à unidade de Coimbra no desempenho global e também em cinco dos 17 agrupamentos de doenças estudados. O Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) demonstra melhores resultados no tratamento de patologias digestivas, endócrinas e metabólicas, ginecológicas e obstétricas, neoplásicas e respiratórias.

O segredo dos bons resultados parece ter sido a fusão dos hospitais da Universidade e dos Covões, em 2012. "A reforma hospitalar em Coimbra, a maior e a mais complexa em Portugal, foi feita com tranquilidade e resultou num conjunto de oportunidades que temos sabido aproveitar em prol dos nossos doentes e do Serviço Nacional de Saúde, como estes resultados demonstram", afirma o presidente do recém-criado CHUC, José Martins Nunes.

O segundo lugar do pódio é agora ocupado pelo Centro Hospitalar de São João (CHSJ), integrado pelo São João e por Valongo. A unidade hospitalar universitária da Invicta mantém o melhor desempenho nas doenças cardíacas e vasculares; pediátricas e do sangue e órgãos linfáticos.

Lisboa só lidera no rim e aparelho urinário

Surge depois, no terceiro lugar geral, o Centro Hospitalar de Lisboa Norte (Santa Maria e Pulido Valente). Ainda assim, a unidade universitária somente se destaca no topo dos agrupamentos de doenças dos rins e aparelho urinário. O vizinho Centro Hospitalar de Lisboa Central (onde estão São José, Curry Cabral ou a Estefânia) ocupa a quarta posição e não tem nenhum topo do pódio por patologia, embora some segundos lugares.

Apesar dos resultados aparentemente menos chamativos, especialistas garantem que a realidade pode ser um pouco diferente. "O estudo apenas analisa a efetividade no internamento, quando o ambulatório é cada vez mais importante, portanto não é uma avaliação dos serviços hospitalares", salienta o administrador hospitalar e professor no Porto António Dias Alves.

IPO não trata melhor cancro?

No caso do cancro, a Escola Nacional de Saúde Pública dá nota máxima aos hospitais de Coimbra. O diretor do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, Nuno Miranda, desvaloriza a secundarização das três unidades do Instituto Português de Oncologia, referências nacionais para o cancro. "São utilizados métodos de faturação para aferir qualidade, e mesmo esses estão desajustados: são para agudos e internamento, e o doente oncológico é crónico e tratado sobretudo em ambulatório", afirma o médico, do IPO de Lisboa.

Já a unidade de Tondela-Viseu tem, à semelhança do ano anterior, um desempenho de excelência nas patologias musculoesqueléticas, neurológicas (incluindo as cerebrovasculares, como o AVC) e nos traumatismos e lesões acidentais.

O Ministério da Saúde "acolhe com agrado" mais uma edição do estudo da ENSP, embora sem mais considerações. O bastonário dos médicos, José Manuel Silva, não poupa críticas: "É um ranking que dá títulos de jornais e que ninguém sabe muito bem o que significa. Os critérios são extraordinariamente falíveis e baseiam-se em parâmetros grosseiros."  

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