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Guia para um fim de semana feliz

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Podereso. Retrato íntimo de um casal homossexual feito em São Petersburgo, na Rússia, valeu ao fotógrafo dinamarquês Mads Nissen o Grande Prémio deste ano do Worlg Press Photo

Mads Nissen

Música clássica, hip-hop, um disco-filme ou um super-herói do Estado Novo? São quatro das 11 sugestões que o Expresso propõe para três dias em grande.

Bernardo Mendonça e João Miguel Salvador

Esta sexta-feira é feriado, dia do trabalhador e tem pela frente um fim de semana prolongado, mas não sabe o que fazer na cidade estes dias? Propomos-lhe um guia selecionado com cinema, dança, música, exposições e teatro. Além do bom tempo, razões não faltam para sair do sofá e aproveitar algumas das melhores ofertas culturais que estão em cartaz em Lisboa e no Porto. Boas escolhas!

Mostrar os mundos ao mundo Foi aos 36 anos que Mads Nissen - fotojornalista do diário dinamarquês "Politiken" - recebeu o prestigiado prémio World Press Photo. Para o vencedor deste ano, a fotografia (acima) mostra a "história de amor entre dois jovens, Jon e Alex, mas também fala da homofobia na Rússia". Michele McNally, do júri da 58ª edição, elogiou o disparo que nos revela uma fotografia "esteticamente poderosa e [que] revela humanidade".

Deixemo-nos de conversa, pois nesta exposição no Museu da Eletricidade é a imagem que conta a história. De um universo de 97.912 trabalhos (de 5.692 fotojornalistas e fotógrafos de 131 países) - ufa! - foram premiados 42. Depois da apresentação na Holanda, onde a Fundação tem a sua sede, a itinerância internacional da exposição rumou diretamente para a Portugal, antes de ser exibida em qualquer outra parte do mundo. A condição feminina, a vida das crianças, a emigração ilegal, a vida em cenários de guerra, o combate ao Ébola e as precárias condições de trabalho são alguns dos temas mais abordados entre os premiados deste ano.

Para ver até 24 de Maio no Museu da Eletricidade, em Lisboa. Preço: €2

IndieLisboa. Cena de "Os Olhos de André"

IndieLisboa. Cena de "Os Olhos de André"

Ficção que é bem real Aviso à tripulação: Esta é uma história verídica representada pelas próprias pessoas que a viveram. É a ficção a servir a realidade com os seus próprios protagonistas. Só por isto vale a pena ver "Os Olhos de André", de António Borges Correia, incluído no Festival Indie. Depois de filmar uma comédia em Arcos de Valdevez representada pelas gentes da região (não atores), o realizador tomou conhecimento de uma história de um pai que vivia com quatro filhos, o mais novo acabara por ser entregue numa casa de acolhimento. Para que a criança voltasse a casa, o tribunal exigia que o pai fizesse um teste de paternidade. Ele recusou, não porque temesse o resultado, mas porque achou que pai é pai e não tem que provar a ninguém o amor e o sangue que o liga ao seu filho. António Borges Correia telefonou ao homem e propôs-lhe contar a sua história em filme. Com ele e os seus filhos a fazerem deles próprios.  Uma abordagem de ficção sobre uma realidade portuguesa rural. Em que os atores são em vez de parecerem.  

Sexta, 1 de Maio, às 21h30, no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, e domingo, às 15h no Pequeno Auditório da Culturgest.

Diva. Raimund Hogue em "An Evening With Judy"

Diva. Raimund Hogue em "An Evening With Judy"

Luca Giacomo Schulte

Dança em dose dupla Depois de uma semana marcada pelo Dia Mundial da Dança, Raimund Hogue (ex-dramaturgo de Pina Bausch) regressa a Portugal com dois trabalhos singulares. E um deles singular não só na forma como também no conteúdo. "An Evening With Judy" (amanhã, às 21h30) - que dedica à musa Judy Garland, seguindo a linha que percorreu em trabalhos anteriores sobre o tenor Joseph Schmidt e Maria Callas - é um solo em que nos leva a explorar a vida da estrela de Hollywood desde a sua infância até à sua prematura morte, aos 47 anos. "Quartet" (sábado, às 21h30) é um regresso aos quatro bailarinos de Hogue (Ornella Balestra, Marion Ballester, Emmanuel Eggermont e Takashi Ueno), num palco ainda povoado pelo bailarino japonês Yuta Ishikawa, pelo próprio coreógrafo e por Luca Giacomo Schulte. Este novo espetáculo de Hogue celebra os seus 20 anos de carreira e será apresentado em vários locais por todo o mundo

Sexta e sábado no Grande Auditório do Teatro Municipal Rivoli. Preço: €10

O Super-Herói do Estado Novo Da resistência antifascista que João Leitão só conheceu através das histórias da sua família e do universo da banda desenhada que sempre adorou - há fragmentos de BD nacionalista no início do filme - nasceu um produto cinematográfico que inicialmente estaria pensado para o formato de série. Foi numa manhã que escreveu o argumento para o episódio-piloto e, em entrevista ao Expresso, fala-nos da ideia primordial, criar algo que lembrasse "desenhos animados para crianças a passar às 10 da manhã de um domingo num regime fascista". Depois foi além disso e este Capitão Falcão (interpretado por Gonçalo Waddington) é um super-herói Português ao serviço do Estado Novo que apenas é fiel a um líder, António de Oliveira Salazar. Aqui também há Capitães de Abril, mas são uma espécie de Power Rangers portugueses. Falcão come "comunistas ao pequeno-almoço" e, passados 41 anos da Revolução dos Cravos, é tempo de aprendermos a rir do passado. Não podemos apagar a história, mas vê-la pela ótica de João Leitão é apoiar o cinema português.

Leão e Amano. Música na floresta

Leão e Amano. Música na floresta

D.R.

Um oceano de autor São mais de 10 mil peixes tropicais e 46 espécies de plantas aquáticas as que habitam o maior "nature aquarium" do mundo (são 40 metros de comprimento e 160 mil litros de água doce). Takashi Amano, fotógrafo de natureza e mestre na criação de aquários plantados, compôs o ambiente e Rodrigo Leão povoa-o agora de música. Os residentes aquáticos não se importarão que a experiência dê lugar à edição de um CD com a peça especialmente composta para o projeto e mais alguns temas de Rodrigo Leão inspirados na natureza. Por agora, e é esta a sugestão, há que visitar "Florestas Submersas by Takashi Amano" e assistir a uma das 20 apresentações ao vivo no Auditório Mar da Palha. As primeiras acontecem já este fim de semana, entre amanhã e domingo, em duas sessões, às 17h e às 19h.

Oceanário de Lisboa. Preço: €25 (inclui a entrada na exposição)

Universo. O mundo kitsch de Tochapestana, para conhecer também no IndieLisboa 

 

Não é filme, não é disco, é Tochapestana! Esta escolha é para bater o pé, abanar o capacete, trautear melodias orelhudas e soltar umas boas gargalhadas. Haverá melhor programa para um sábado à noite? Referimo-nos à curta "Música Portuguesa - um disco filme de Tochapestana", projeto de Gonçalo Tocha (já vencedor do Indie com o documentário "É na Terra não é na Lua") inserido no Indie Music, um dos clássicos do festival Indie para melómanos. Gonçalo Tocha e Dídio Pestana são a dupla excêntrica Tochapestana, capaz de combinar calças tigresa e casacos vermelho e amarelo metalizado e bigode à taxista. São acompanhados por um sintetizador de batida comercial num conjunto de sonoridades que lembram as melhores festas da aldeia no nosso querido mês de Agosto. A chamar os nossos corpos pela via do glitter (ou género associado à sua música: baile-turbo-punk). Os gestos teatrais de Tocha, tipo Marco Paulo dos tempos modernos, acompanham temas disco sound cruzados entre urbanidade e província e resultam estranhamente numa lufada de ar fresco musical. Confuso? É ir vê-los e ouvi-los porque no fim da curta haverá concerto. 

 "Música Moderna - Um Disco Filme de Tochapestana". Sábado, às 21h30, na Sala Manoel de Oliveira do Cinema São Jorge (inserido no Festival Indie)

 

Augusto Bobone [1852-1910]. Grupo dos vencidos da vida. 1889, albumina, 26 x 31 cm. Coleção João José P. Edward Clode

Augusto Bobone [1852-1910]. Grupo dos vencidos da vida. 1889, albumina, 26 x 31 cm. Coleção João José P. Edward Clode

Conheça as mais antigas fotografias feitas em Portugal Sabiam que Rainha D. Maria Pia era fotógrafa amadora com gosto pelo pitoresco? E que nos primeiros retratos feitos em Portugal usava-se um encosto para a cabeça a fim de imobilizar o fotografado durante quinze segundos e assim evitar o desfoque? O Museu do Chiado conta os primeiros passos da fotografia em Portugal e da sua relevância artística, científica e comercial no século XIX através de quase duas centenas de fotografias de acervos públicos e privados, que datam de 1840 a 1900. Há belas paisagens de um país rural; imagens da inauguração da Praça da Figueira e dos Restauradores; retratos de família, alguns deles com os rostos e os corpos dos familiares colados e compostos num certo cenário (no que terão sido os primórdios da manipulação fotográfica que hoje tem grande expressão através do Photoshop); senhoras muito bem-postas em poses seráficas; meninos sorridentes que posam em barcos de papel; rostos com lepra antes e depois do tratamento; atores que representam de forma sequenciada para a câmara. Fotografias que mais parecem pinturas feitas por Alfredo Keil, que, antes de se lançar às tintas e ao pincel fotografava para estudar a luz e a composição das suas obras. E há muito, muito mais. Um regresso ao passado contado por valiosas imagens, sob a curadoria de Emília Tavares e Margarida Medeiros. 

 "Tesouros da Fotografia Portuguesa do século XIX" em exposição até 28 de Junho no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado. 

Manfred. O Grande Auditório do CCB vai receber a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos

Manfred. O Grande Auditório do CCB vai receber a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos

Diculgação

O mais amado dos concertos para piano Para uma tarde bem passada ao som de boa música clássica, propomos "Manfred" pela Orquestra Sinfónica Portuguesa e coro do Teatro Nacional de São Carlos. No século XIX foi colossal o impacto de Lord Byron, poeta e herói transgressor que afrontou a moral estabelecida e morreu no combate pela libertação da Grécia. Childe Harold's Pilgrimage lançou em 1812 o modelo do "herói byroniano" de que Manfred seria, em 1817, outro arquétipo: o jovem de emoções tempestuosas que foge à sociedade e vagueia atormentado por um sentimento de culpa devido a misteriosos pecados do seu passado. Manfred inspirou a Schumann a mais notável das suas aberturas e música de cena (1848) e a Tchaikovsky a mais descritiva das suas sinfonias (1885). Este programa inclui ainda o mais amado dos concertos para piano, indissociável do amor de Schumann pela sua eterna musa, Clara Wieck.

"Manfred", domingo, às 17h, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. A partir de €5

Pedro e Inês morrem felizes para sempre Esta é a sugestão mais 'creepy' deste fim de semana. Mas não a menos curiosa. Faz de conta que está no ano de 1949. É de noite, tem uma máscara cirúrgica na cara e está fechado numa pequena sala do Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos. Dentro de instantes, a porta vai-se abrir e será convidado a explorar o Hospital. O ponto de partida está dado. Num edifício de dois andares do Hospital Júlio de Matos, Ana Padrão dirige um conjunto de atores que reinventam, a partir das palavras de Nuno Moreira, a tragédia amorosa de Pedro e Inês. Cada visitante é livre de traçar o seu caminho e de explorar o espaço ao seu próprio ritmo através das 27 salas, passagens secretas e pode seguir qualquer um dos atores que nelas se movem. Eis um espetáculo de teatro imersivo para plateias com apetência para a aventura e pouco suscetíveis à nudez e à violência, que integra na trama a invenção da lobotomia pelo nobelizado Egas Moniz (numa evocação do Congresso Internacional de Psicocirurgia que decorreu em 1947 nesta instituição hospitalar). Este espetáculo não é para meninos. Está indicado para maiores de 18 anos devido às cenas de nudez, simulação de violência e consumo de álcool. Mas garante um happy end.

"E morreram felizes para sempre" em cena no Pavilhão 30 do Hospital Júlio de Matos, Avenida do Brasil, 53, até 30 de Maio. Quarta a sexta, às 21h30 | sábado, às 19h e 22h. Para maiores de 18 anos. Preço: €35

Casa da música Michael Sanderling na direcção musical destas célebres sinfonias interpretadas pela Orquestra Sinfónica do Porto

Casa da música Michael Sanderling na direcção musical destas célebres sinfonias interpretadas pela Orquestra Sinfónica do Porto

Marco Borggreve

Sinfonias célebres ocupam a Casa São duas as peças para orquestra que ocupam este fim de semana a Casa da Música. Sob direção musical de Michael Sanderling (na foto), a Orquestra Sinfónica do Porto interpreta a Sinfonia nº64 de Franz Joseph Haydn e a Quinta Sinfonia de Gustav Mahler. Se a primeira, "Tempora mutantur, et", tem a particularidade de ser uma das poucas sinfonias batizadas pelo próprio compositor, a peça de Mahler, eternizada no filme "Morte em Veneza", é uma das mais populares do compositor austríaco.

Para sentir às 18h de domingo na Sala Suggia da Casa da Música, no Porto. Preço: €19. 

Da Web para o Coliseu Dar espaço a novos projetos é o principal objetivo deste "Hip Hop Sou Eu", um festival que herda a sua essência de um projeto 'web' de difusão da cultura hip, que já conta com 14 anos. O Coliseu será o palco da apresentação da nova colaboração entre Sam The Kid e Mundo Segundo, dois dos nomes mais influentes do hip hop nacional que têm novo álbum a editar ainda este ano. Entre música nova e os temas mais conhecidos, esta noite conta ainda com Jimmy P (na foto acima), que traz o seu recém-lançado segundo álbum, "Fvmily F1rst". Do cartaz fazem ainda parte Grognation, Dillaz, Profjam, Bispo, Plutónio, MGDRV, Tekilla e o dj Madruga.

Para ver e ouvir esta sexta-feira, às 20h, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Preço: €20.