Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Greve dos trabalhadores dos super e hipermercados. Sindicato fala em adesão de "muitos milhares"

  • 333

Clientes às compras numa das lojas Pingo Doce, em Coimbra, onde não se parecem notar os efeitos da greve de 24 horas dos trabalhadores dos super e hipermercados.

Paulo Novais/Lusa

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, "há muitas situações de grande adesão, de tal modo que há lojas que encerraram as portas e muitas outras funcionam em condições precárias". Trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho e salariais.

Helena Bento com Lusa

A greve dos trabalhadores dos hipermercados e supermercados, convocada para esta sexta-feira, teve a adesão de "muitos milhares de trabalhadores", declarou o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), sem relevar números. 

"Dos dados que é possível recolher, observa-se que muitos milhares de trabalhadores não se apresentaram ao trabalho, apesar das pressões, chantagens e também aliciantes oferecidos para furarem a greve", refere o sindicato numa nota, citado pela agência Lusa.

Segundo o CESP, "há muitas situações de grande adesão, de tal modo que há lojas que encerraram as portas e muitas outras funcionam em condições precárias, recorrendo a pessoas que habitualmente não exercem nas placas de vendas ou contratando temporariamente trabalhadores para substituir grevistas".



O sindicato lembrou que a greve nos super e hipermercados, armazéns e lojas especializadas foi decretada para "tornar público o descontentamento generalizado com as condições de trabalho e salariais" destes trabalhadores. 

"As empresas não têm falta de dinheiro, apostam sim em desvalorizar os salários e empobrecer os trabalhadores, porque, como se observa, têm muito dinheiro para investir milhões e milhões em campanhas de baixa de preços - dumping - para destruir a concorrência e a produção agrícola, agroindustrial e industrial nacional", acrescentou.

Apesar de não haver dados relativamente ao número de trabalhadores em greve e quais as zonas mais afetadas do país, há informação de que, pelo menos em Coimbra, a greve está a ter um impacto "reduzido, notando-se apenas a adesão dos consumidores às promoções, com carrinhos cheios".

Segundo a agência Lusa, às 8h30 desta sexta-feira já havia filas nas caixas do Pingo Doce da Baixa de Coimbra, que abriu às 8h00. Tal não se ficou a dever à falta de funcionários a trabalhar no supermercado, mas às promoções que a cadeia promove neste dia, destacando-se no local um cartaz a fazer alusão aos descontos de 50% a mais de 100 produtos, revelou ainda a agência.

Ainda de acordo com o CESP, os trabalhadores em greve pretendem "rejeitar as propostas das empresas para reduzir rendimentos e empobrecer mais trabalhadores, desorganizar ainda mais a vida pessoal e familiar, tornar ainda mais penosa a vida de quem trabalha no setor e agravar ainda mais as condições que deterioram a saúde através de horários ainda mais flexíveis e desregulados".

Exigir "a atualização dos salários com base nos valores médios praticados" e "que os operadores de armazém das logísticas, das cadeias de distribuição, sejam enquadrados nos mesmos níveis de qualificação dos operadores de loja, com os mesmos níveis salariais", são outras das exigências.