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GNR "tentou tudo" para demover sequestrador no Pinhal Novo

Mais de seis horas de negociação terminaram no desfecho trágico para um homem da Europa de Leste, que matou um militar e feriu sete pessoas. Dono do restaurante recusa ajuste de contas.

Raquel Pinto

Raquel Pinto

Jornalista

A GNR descreve a operação desta madrugada no restaurante "O Refúgio", no Pinhal Novo, de "alto risco" e "inédita" pelo grau de violência. O proprietário afirma que o sequestrador pediu-lhe 50 mil euros. 

Foram mais de seis horas de negociações com um homem munido de granadas e explosivos, que num ato "tresloucado" se barricou no interior do estabelecimento, na rua Diogo Cão. Matou a tiro um militar e feriu sete pessoas. Suspeita-se que o homem, de cerca de 59 anos, seja moldavo, segundo adiantou ao Expresso o tenente-coronel Jorge Goulão, porta-voz da GNR de Setúbal.

O indivíduo - que "aparentava alguma ansiedade", mas sem que ninguém reparasse que estava armado -, entrou no estabelecimento, consumiu, pagou, e a seguir perdeu o controlo. Terá dito que "precisava de dinheiro para resolver a vida dele", conta o tenente-coronel Jorge Goulão, adiantando que os distúrbios começaram cerca das 22h e teve início o sequestro.

Sequestrador "Miguel" queria 50 mil euros

Em declarações à SIC, o dono do restaurante admitiu que o sequestrador trabalhou numa propriedade sua, por intermédio de um empreiteiro, a quem pagou e não deve nada.

"Um ajuste de contas teria que haver negócios entre mim e a dita pessoa, haver uma dívida de mim para a pessoa ou de mim para alguém em que ele estivesse envolvido. Nada disso acontece", afirmou Gaspar Veloso, que garantiu que "o Miguel" lhe disse que iriam "morrer todos" e queria 50 mil euros porque "tinha muitos glóbulos brancos e um ano de vida". 

As autoridades foram chamadas ao local e um dos militares da primeira patrulha foi atingido a tiro pelo sequestrador assim que entrou no restaurante. Àquela hora, encontravam-se já "poucos clientes". 

Instalou-se o pânico e as pessoas aproveitaram para fugir. Nessa altura, "o índivíduo lança uma granada de mão para o exterior e os estilhaços ferem quatro militares e três civis", de acordo com a GNR.

Fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro de Setúbal confirmou ao Expresso que se tratam de "duas mulheres e um homem, que deverá ser o proprietário do estabelecimento, e que acabou por ser socorrido no local." Os restantes feridos foram transportados para o Hospital São Bernardo e receberam alta na mesma noite. Um dos militares, de cerca de 30 anos, foi transferido para o Hospital do Barreiro, e deverá sair ainda hoje.

Violência "inédita"

As mais de seis horas de "intensas" negociações, como descreve a GNR, não demoveram o sequestrador. Munido de arma de fogo, granadas e explosivos, recusava render-se e impedia a assistência ao militar ferido, cujo estado de gravidade era desconhecido.

"Tentou-se tudo", frisou ao Expresso o tenente-coronel Jorge Goulão, acrescentando que depois de esgotadas as "negociações diretas, por contato telefónico, e indiretas, através de conhecidos do sequestrador, avançou-se para uma intervenção tática que terminou cerca das 5h30".

"Abateu um cão com um tiro e depois feriu outro. A operação acabou com uma troca de tiros e o sequestrador acabou por falecer", descreveu. 

O tenente-coronel Jorge Goulão salienta ainda que esta foi "uma situação inédita do ponto de vista da segurança e de extrema violência" de que não tem memória. 

Além da GNR, estiveram no local a Polícia Judiciária, INEM, dez ambulâncias e bombeiros das corporações de Pinhal Novo, Moita, Montijo, Palmela, Setúbal. O perímetro de segurança criado em torno do restaurante levou à evacuação de alguns residentes de habitações nas imediações.