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Funcionários do BBVA em marcha lenta contra despedimento coletivo

A concentração está marcada para as 18h, no Marquês de Pombal, em Lisboa. Depois, haverá uma marcha lenta até à sede do banco, na Avenida da Liberdade e daí os trabalhadores seguem para a porta das instalações da Embaixada de Espanha na Rua do Salitre

Tiago Miranda

A decisão de despedimento foi anunciada no dia 11 de novembro. Comissão de trabalhadores do banco considera a medida "injusta e descabida". 

Funcionários do BBVA convocaram para esta quinta-feira uma vigília de protesto contra o despedimento coletivo em curso de 177 funcionários daquele banco.

A concentração está marcada para as 18h, no Marquês de Pombal, em Lisboa. Depois, haverá uma marcha lenta até à sede do banco, na Avenida da Liberdade, e daí os trabalhadores seguem para a porta das instalações da Embaixada de Espanha na Rua do Salitre.

Recorde-se que a decisão de despedimento foi anunciada aos trabalhadores do banco a 11 de novembro deste ano. Na altura, foi também anunciado o encerramento de mais de metade das suas agências em Portugal, por causa de prejuízos acumulados, reduzindo o BBVA a sua estrutura no país para 570 funcionários e 38 balcões.

No comunicado enviado à comunicação social, a comissão de trabalhadores do BBVA afirma que esta medida é "injusta e descabida". Alega que o banco "integrou um grupo financeiro que registou lucros de 2000 milhões de euros até setembro de 2014" e que "todos os funcionários sabem da viabilidade da instituição em Portugal", o que torna ainda mais "inaceitáveis as justificações da administração". 

Ao Expresso, João Bonito, que integra a comissão, conta que os trabalhadores "foram apanhados de surpresa". "Não houve nenhum aviso", ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, refere.

Dadas as especificidades da situação - "é a primeira vez que se verifica um despedimento coletivo na banca", sem ter havido um "esforço de negociação" por parte da administração do banco -, Bonito garante que a comissão vai tentar encontrar soluções mais "solidárias", para isso contando "com a força dos trabalhadores" que compareceram na vigília desta tarde.

Dos 177 funcionários, todos com idades acima dos 50 anos, cerca de 29 foram já recolocados no banco. A comissão de trabalhadores espera agora que os restantes elementos sejam integrados em grupos de reforma. Se a administração do banco assim não entender e interromper as negociações, os funcionários "terão de seguir o mesmo processo das milhares de cidadãos que estão no fundo de desemprego, o que para pessoas com idades acima dos 50 anos é muito complicado", considera Bonito.

Para a hora da vigília está também agendada uma reunião entre a administração do banco e o Ministério do Trabalho, que vai decidir o futuro destes trabalhadores.