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Forno solar português aposta na exportação

Desenvolvido a pensar nos países pobres, acabou por conquistar a alta cozinha e centenas de lares europeus. Não gasta combustível, não requer vigilância e beneficia de uma dedução de 30% no IRS por usar energias renováveis.

Desenvolvido a pensar nos países pobres, acabou por conquistar a alta cozinha e centenas de lares europeus. Depois de um arranque comercial mal sucedido, o forno solar português aposta agora na exportação e no mercado de lazer, tendo vendido quase mil unidades em menos de um ano.

O forno, contou à Lusa o sócio-gerente da empresa que comercializa este produto, nasceu no Instituto Nacional de Engenharia, Teconologia e Inovação (INETI) pela mão do investigador Manuel Collares Pereira.

"Na altura, o INETI integrava uma rede ibero-americana de cooperação que procurava disponibilizar tecnologia aos países da América Latina em áreas identificadas como carentes", explicou Nuno de Oliveira Martins.

Mais acessível

Surgiu assim um forno que não gasta combustível e que pretendia "chegar a campos de refugiados ou às populações de zonas afectadas pela desertificação, onde as mulheres e crianças têm de andar muitos quilómetros para recolher lenha para cozinhar", arriscando-se em termos de segurança e de saúde.

Em 2001, a API Capital propôs-se apoiar o projecto "porque achou que havia viabilidade comercial". O grupo Ibermoldes foi escolhido como parceiro industrial e a SunCo é fundada um ano mais tarde para comercializar o produto.

No entanto, "os resultados foram desanimadores. A simpatia que as pessoas manifestavam pelo produto não se materializou nas vendas", confessa Nuno de Oliveira Martins. A empresa acabou por desaparecer em 2005.

Três anos mais tarde, em 2008, Nuno de Oliveira Martins decidiu reabilitar o projecto.

"O tema das energias renováveis e das alterações climáticas começou a ser muito falado e isso notou-se em termos de receptividade em relação a este mercado", justificou o empresário.

Aposta na exportação e lazer

A nova empresa - Sun OK - decidiu apostar então no mercado do lazer.

"Direccionámos o produto para os países desenvolvidos, essencialmente Europa, EUA e Austrália. Os nossos clientes são sobretudo pessoas com moradias e jardim para cozinhar ao sol, em que o forno seria uma espécie de complemento do barbecue", explicou Nuno de Oliveira Martins.

Mas o forno despertou também a atenção do "chef" António Almeida, do hotel da Quinta da Marinha, e desde o ano passado são ali confeccionadas refeições regularmente.

O forno permite fazer todo o tipo de cozinhados, excepto fritos, e não queima a comida porque "cozinha a uma temperatura baixa e homogénea". Um dos principais argumentos de venda de Nuno de Oliveira Martins é precisamente "a qualidade e sabor dos alimentos confeccionados".

No entanto, demora o dobro do tempo de um forno normal, uma desvantagem que se pode converter em benefício já que o forno não requer vigilância nem assistência: "pode-se deixar a comida a fazer, sair e quando voltar o jantar está pronto".

Dedução no IRS

A empresa está também a explorar o mercados dos países em desenvovimento e já estabeleceu parcerias comerciais na África do Sul, Angola, Guiné, Senegal e Quénia.

Foram criadas duas versões diferentes do forno: uma, mais completa, com um espelho lateral que permite aproveitar o sol de Inverno sem necessidade de reorientação e outra, "tropical", que dispensa acessórios.

A Sun Ok vai fechar o ano com perto de mil unidades vendidas, antecipa Nuno Oliveira Martins.

França, Itália, Grécia e Espanha foram os principais clientes dos fornos solares cujo preço recomendado para o mercado português é de 199 euros.

Apenas cerca de 100 unidades foram vendidas em Portugal, apesar do equipamento beneficiar de uma dedução de 30 por cento no IRS por usar energias renováveis.