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Farfetch. Como um português criou um império digital de mil milhões de dólares

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José Neves, o CEO da Farfetch, nas instalações da empresa em Leça do Balio, Matosinhos

Paulo Duarte

O empresário José Neves desenvolveu um site que permite aos utilizadores comprar roupa e acessórios de luxo de mais de 300 lojas multimarca de todo o mundo. No ano passado, a empresa faturou quase 300 milhões de euros. Este ano quer ultrapassar os 450 milhões. 

Outubro de 2007. José Neves, um portuense que tinha criado duas empresas - uma de programação e outra de calçado - está numa feira de moda em Paris. É um dia deprimente de chuva e muitos dos expositores queixam-se das vendas fracas. Os únicos q­ue conseguem sorrir são aqueles que montaram nos seus negócios bons canais de venda online.

Como Arquimedes, o empresário teve então seu momento "Eureka!". "Se conseguíssemos colocar todas essas lojas com peças de luxo numa plataforma virtual, daríamos ao consumidor o lado emocional de viajar no mundo da moda", explica ao Expresso. No ano seguinte nascia a Farfetch. Esta quarta-feira, ficou a saber-se que a empresa foi avaliada na última ronda de financiamento em mil milhões de dólares (quase 900 milhões de euros), o que supera o valor de mercado de sete das empresas do PSI-20. E promete não parar por aqui.

O que José Neves fez foi algo aparentemente simples: criar uma ponte entre uma audiência global e lojas de todo o mundo - mais de 300 em 27 países, como as portuguesas Fashion Clinic ou Stivali. Por exemplo, uma cliente em Lisboa pode comprar com facilidade um vestido numa loja em Hong Kong ou em Los Angeles e receber a encomenda em sua casa. A Farfetch trata de tudo.

A empresa foi criada ao mesmo tempo em Portugal e em Londres. "É luso-britânica de gema", brinca José Neves, de 40 anos. Mas o negócio é sério. Quase metade (275) dos 600 funcionários da empresa trabalha em Portugal. É num edifício em Leça do Balio, Matosinhos, que está toda a equipa de desenvolvimento da plataforma, serviços financeiros e gestores de contas das lojas associadas, bem como uma parte do serviço ao cliente. Todas as peças que estão no site são fotografadas e catalogadas noutro edifício da empresa, nas Caldas das Taipas, em Guimarães.

Desde o lançamento, a Farfetch tem crescido quase 100% a cada ano. Em 2014, faturou quase 300 milhões de euros. Este ano, prevê chegar aos 450 milhões. E em 2016 quer ultrapassar o Net-a-Porter, líder online no comércio de roupa de designers.

"Queremos ser o n.º 1 a nível mundial. Acho que vamos lá chegar em dois anos", acredita Neves.