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Fantasma do 1º de maio: Pingo Doce promete "voltar a fazer história"

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FOTO TIAGO MIRANDA

Pingo Doce está a anunciar aos seus trabahadores que quer "voltar a fazer história" com promoções no 1º de maio. Mas garante que elas serão diferentes das que, há três anos, levaram a problemas na lojas e a polémica social. 

Iryna Shev

Fantasma ou golpe publicitário? Três anos depois da polémica superpromoção no 1.º de maio nas lojas do Pingo Doce, a cadeia de supermercados anuncia que quer "voltar a fazer história" com promoções neste feriado.

O anúncio é na verdade feito aos trabalhadores, não aos clientes. Em causa está um cartaz interno, "dirigido aos colaboradores do Pingo Doce, com  o objectivo de os envolver na acção preparada para amanhã", explica fonte oficial do grupo ao Expresso.

A diretora de Comunicação da Jerónimo Martins garante que se está a preparar uma "surpresa" para os clientes, mas que "nunca será nos mesmos termos que em 2012". Sara Miranda considera "irrepetível" a ação promocional de há três anos, que nesse Dia do Trabalhador garantiu 50% de desconto a todos os consumidores que adquirissem produtos no valor igual ou superior a 100 euros.

A promoção contou na altura com grande adesão nos 369 estabelecimentos do país, gerando engarrafamentos, açambarcamentos e até escaramuças que obrigraram em muitos casos à intervenção das autoridades. A Jerónimo Martins acabou por ser condenada pela Autoridade da Concorrência a uma coima de 30 mil euros. 

Quem já se mostrou contra foi o Sindicato do Comércio e Serviços (CESP). Esta sexta-feira, denuncia o sindicalista Manuel Guerreiro, o pessoal que estará a trabalhar no Pingo Doce terá "hora de entrada" mas não terá "hora de saída". 

O Sindicato do Comércio e Serviços acusa aliás todas as cadeias de supermercados e hipermercados, onde se insere a Jerónimo Martins, proprietária do Pingo Doce, de quererem "empobrecer" os seus trabalhadores.

Em comunicado enviado à Lusa, o sindicato refere que as empresas em questão não aumentam o número de funcionários não por falta de dinheiro mas sim por falta de vontade: "Como se comprova com a campanha de oferta generalizada de produtos na véspera e dia 1.º de Maio", lê-se no documento.

A par das promoções do Pingo Doce, o sindicalista refere que a Sonae, proprietária das lojas Continente, também fará promoções especiais em alguns produtos. "Ora, isto comprova que não aumentaram pessoal e não negoceiam a revisão do CCT por falta de dinheiro, antes por uma obstinada politica de empobrecimento dos trabalhadores, senão não se proporiam oferecer dezenas ou centenas de milhões de euros num ou dois dias aos clientes", disse.

Para Manuel Guerreiro, estas campanhas pretendem "boicotar a greve e o significado do 1.º de maio, cometendo resmas de ilegalidades". A greve referida pelo presidente do CESP foi convocada pelos sindicatos da CGTP e da UGT para defender aumentos salariais (congelados há cinco anos) e a melhoria das condições de trabalho dos colaboradores dos supermercados e hipermercados.