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Explosão em pedreira de Sesimbra sentida de Setúbal a Lisboa

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Estrondo chegou a vários locais de Lisboa e até Oeiras. Não há vítimas, mas haverá danos nos edifícios mais próximos.

Mafalda Anjos e Raquel Pinto

Um estrondo, com deslocação de ar e trepidação, foi sentido esta quarta-feira à noite em vários locais da região de Setúbal e Lisboa. Algumas pessoas saíram de imediato à rua para perceber o que se passava, depois de as janelas e vidros terem estremecido. O fenómeno gerou de imediato reações nas redes sociais. Há testemunhos de que chegou a Oeiras e Cascais.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil adiantou que o impacto foi provocado por uma explosão numa pedreira em Sesimbra. Ao que parece, terá sido controlada. Uma situação que "não é normal" para as autoridades, tendo em conta a hora e o alcance da onda de choque. Os bombeiros de Sesimbra adiantaram ao Expresso que a explosão ocorreu num paiol da empresa Sobrissul - Sociedade de Britas Selecionadas do Sul. A informação seria posteriormente confirmada pelo presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora.

 

Queima de material detonante que poderia estar "fora do prazo"

Em declarações às televisões a partir do local, o autarca clarificou que tinha sido colocada "uma grande quantidade de material detonante, com cerca de 9000 metros, no fundo da pedreira", localizada na freguesia do Castelo. Esse "cordão" foi preparado para depois "ser feita uma ignição e ser queimado", acrescentou, supondo que esse trabalho tenha sido realizado durante o dia. O autarca que esteve reunido com a empresa Maxampor, proprietária do material explosivo, e a PSP, adiantou que "supostamente" fez-se uma distribuição de material "fora de prazo". 

De acordo com Augusto Pólvora, "era suposto que ele tivesse ardido sem explosão e o que aconteceu de imprevisto foi que houve uma explosão cerca das 22h20". O que terá causado esse "imprevisto" ainda não foi possível apurar. 

A Proteção Civil recebeu o primeiro aviso através de populares às 22h23 e as comunicações estavam a chegar desde o Braço de Prata ao Poço do Bispo, Almada e Sesimbra, disse ao Expresso o comandante de operações Pedro Araújo, do comando nacional. Para o local foram mobilizados 11 veículos e 25 operacionais e duas ambulâncias. 

Não se sabe quais as dimensões dos estragos, mas o impacto foi alargado - haverá danos em algumas habitações nas proximidades. Não há vítimas.

"Não estavam por perto trabalhadores na altura da explosão. O material terá sido colocado no fundo da pedreira durante o dia com a ajuda de dois trabalhadores da pedreira da Sobrissul e com os próprios responsáveis da Maxampor para depois lhe pegarem fogo. Estavam na zona de entrada da pedreira quando se deu a explosão", esclareceu o presidente da Câmara. Foram reportados danos materiais em edifícios, como "vidros partidos".

O comandante Pedro Araújo já tinha referido ao Expresso que, "após várias diligências e cruzamento de informações" tudo indiciava que se tratou de uma explosão "controlada". "Supomos que sim, que terá sido uma explosão controlada de material detonante, mas carece de um processo de investigação", especificou. Porém, a confirmar-se esta informação, "alguma coisa falhou para ter tido este impacto".  

Questionado pelo Expresso se é habitual proceder-se a uma explosão controlada à noite, Pedro Araújo respondeu que "não é normal" e "não era suposto a empresa estar a laborar àquela hora". Este tipo de procedimentos "ocorre durante o dia" e, dependendo da quantidade, poderá ser feito de uma forma faseada. Até ao momento, não se sabe a quantidade de material detonante utilizado nesta explosão, nem como ocorreu o processo de rebentamento.

 

"Abanou tudo, até os cortinados"

Isabel Abreu, geofísica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), referiu ao Expresso que, logo após o estrondo e as trepidações, surgiram vários telefonemas de pessoas a queixarem-se de que sentiram as casas a tremerem e a perguntaram o que se tinha passado. "Sismo sabemos que não foi", garantiu.  As chamadas eram provenientes maioritariamente da margem sul do Tejo - Barreiro, Seixal e Charneca da Caparica. No Twitter e no Facebook, há relatos de quem o tenha sentido noutras zonas como Azeitão, Quinta do Conde, Palmela, Setúbal, Alcácer do Sal e até Oeiras, Cascais e Santarém.

"A casa abanou toda e os vidros também. O barulho foi tão intenso que fui à janela ver se tinha acontecido alguma coisa nas redondezas. Estranhei ver tantas pessoas à janela", refere ao Expresso Paula Santos, residente no Fogueteiro, concelho do Seixal. "Senti medo e liguei para vizinhos para saber se tinham sentido o mesmo", descreveu ainda. 

Tiago Marques, que vive no concelho de Sesimbra, o epicentro da explosão, estava em casa quando sentiu "uma onda de energia a invadir a casa". "Abanou tudo, até os cortinados", disse impressionado ao Expresso.  

O presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, afirmou à agência Lusa que as pessoas que tenham sofrido danos provocados pela explosão na pedreira devem apresentar queixa na GNR, de modo a serem indemnizadas. "Tenho conhecimento de pelo menos duas pessoas com relatos de vidros partidos e o que as autoridades dizem é que devem apresentar queixa na GNR para identificar os prejuízos, de modo a serem efetuados os autos e depois se possa sustentar uma possível indemnização", disse Augusto Pólvora.

O caso foi entregue à GNR e vai participar o caso ao Ministério Público, disse à Lusa fonte policial.

[Atualizado às 9h12]