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Ex-recluso denuncia escravatura digital na China

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Guardas de um campo de trabalhos forçados obrigam prisioneiros, quando regressam à prisão, a jogar vídeojogos durante toda a noite. A venda dos créditos acumulados a outros jogadores chega a render €500 por dia.

Carlos Abreu (www.expresso.pt)

Os guardas do campo de trabalhos forçados de Jixi, província de Heilongjiang, China, obrigam os prisioneiros a jogar vídeojogos online durante toda a noite, a fim de obterem créditos que depois colocam à venda na Net.

Este inédito fenómeno de escravatura digital foi denunciado por um ex-recluso de 54 anos.

Os prisioneiros são obrigados a jogar o popular World of Warcraft, onde os créditos em ouro acumulados durante longas horas a jogar podem depois ser vendidos a outros jogadores que não tenham nem tempo nem paciência para reunir as quantidades de moeda virtual necessárias para comprar objetos como, por exemplo, ferramentas.

Apesar de ilegal, esta prática conhecida como gold-farming, é muito comum. (ver vídeo no final do texto)

€500 por dia

Em declarações ao jornal britânico "Guardian", o ex-prisioneiro garantiu que os guardas ganhavam muito mais dinheiro com esta atividade do que com o produto do trabalho realizado pelos detidos durante o dia.

"Os guardas ganham mais dinheiro obrigando os presos a jogar vídeojogos do que a realizar trabalhos manuais", afirmou o ex-detido, acrescentando: "Eram obrigados a jogar cerca de 300 prisioneiros".

Jogadores de World of Warcraft a nível mundial, em outubro de 2010. Fonte: Blizzard.

"Ouvi-os dizer que recebiam cinco a seis mil ienes (€500-€600) por dia, mas nunca me deram um cêntimo que fosse. Os computadores nunca eram desligados", garantiu a mesma fonte.

Este ex-recluso contou ainda que "se não conseguisse atingir um determinado nível, era espancado. Obrigavam-me a ficar com os braços no ar e durante o trajeto para a camarata batiam-me com tubos de plástico".

Contactada pelo "Guardian", fonte oficial do campo, que não quis ser identificado, desmentiu o denunciante, convidando o jornalista para visitar o local.