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"Está na altura de levar para o digital os valores do papel"

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FOTO Luís Barra

Organismo que reúne grupos de privados de media quer defender os direitos de autor e o cumprimento de regras deontológicas no ambiente digital. Luís Nazaré é o novo diretor executivo da entidade, que tem Francisco Pinto Balsemão como presidente do Conselho Geral. "Público" aderiu à plataforma.

"Está na altura de levar para o digital os valores do papel." A premissa foi estabelecida por Francisco Pinto Balsemão e traduz parte essencial dos objetivos que presidiram à criação da Plataforma de Media Privados (PMP), uma entidade que reúne os principais grupos portugueses de media, com o objetivo de defender os seus interesses "a uma só voz".

Os grupos Impresa (proprietário do Expresso), Cofina, Media Capital, Renascença e Global Media foram os membros fundadores deste organismo, que viu esta quinta-feira formalizada a adesão da empresa proprietário do "Público", a Público Comunicação Social. Numa conferência de imprensa realizada esta quinta-feira de tarde - e que serviu também para apresentar o novo diretor-executivo da PMP, Luís Nazaré - Francisco Pinto Balsemão reforçou a necessidade de salvaguardar "a existência de um jornalismo independente, adequado às novas tecnologias e às tendências de consumo".

"O funcionamento da democracia de padrão ocidental está a ser desafiado pelo aparecimento de novos poderes globais, não controlados pelos mecanismos democráticos. Os motores de busca, as redes sociais e os pseudocriadores de infotainment na internet criaram uma avalanche de informação que, em muitos casos, é desinformação, absorvida pelos cidadãos sem muitas vezes porem em causa a sua veracidade", sublinhou o presidente do conselho geral da PMP.

A necessidade de garantir a existência de um jornalismo profissional que "separe o trigo do joio, que selecione, ordene e hierarquize a verdadeira informação" de acordo "com regras deontológicas" será, por isso, um dos motores da PMP. Com a convicção de que "só empresas sólidas" podem assegurar o cumprimento destes ideais.

Também por isso, como sublinhou Luís Nazaré, é importante garantir "uma repartição justa de deveres e benefícios" no novo ambiente digital. Nomeadamente no que diz respeito ao necessário equilíbrio entre quem detém os direitos de autor sobre os conteúdos e os direitos de quem os usa em proveito próprio.

Cláudia Azevedo, administradora do "Público", concordou: "Há uma mudança estrutural profunda na imprensa. O papel está a ser substituído pelo online, há mudanças de hábitos no consumo de media e há muita oferta de conteúdos gratuitos. Se os conteúdos fossem pagos não haveria problema. Porque a produção de conteúdos com rigor e qualidade tem custos elevados e se esses conteúdos forem distribuídos gratuitamente cria-se um desequilíbrio. E é preciso equilíbrio entre quem distribui e quem cria os conteúdos", resumiu.

Luís Nazaré assume que a tarefa é difícil, mas garante que a PMP "não será beligerante" nesta disputa com os grandes grupos como o Google ou o Facebook, que hoje dominam o ambiente digital e são veículos cada vez mais preferenciais para o acesso à informação. "Vamos afirmar as competências distintivas que temos. Sabemos que estamos a lidar com empresas com grande poder. Há que procurar encontrar espaços para estarmos em simultâneo", disse Nazaré.

Outros temas que estarão na agenda da PMP serão as questões regulatórias, como a nova lei da transparência sobre a propriedade de media que está a ser discutida pelos partidos na Assembleia da República. A este respeito, Luís Nazaré explicou que a PMP concorda com o espírito geral da proposta de lei, mas traça algumas fronteiras. Nomeadamente a possibilidade de passar a ser obrigatória a divulgação de informação financeira relacionada com acordos publicitários.

"Não devemos ser obrigados a prestar informação concorrencial além daquilo que que fazem outras empresas noutros setores. As empresas de media que estão cotadas em bolsa já divulgam um volume de informação não negligenciável. Tudo o que for além disso tem de ser analisado e discutido", defendeu.

Noutro âmbito, Francisco Pinto Balsemão também alertou para a urgência de os partidos políticos corrigir as "regras absurdas" sobre o acompanhamento de eleições e que - por obrigarem a equidade no acompanhamento das campanhas entre todos os partidos, independentemente da sua representatividade - condicionaram fortemente a realização de debates nas últimas eleições.