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Era uma vez uma estrela Michelin na Casa Julio

Em novembro de 2009, o restaurante de Valência ganhou o galardão gastronómico mais desejado. Cinco anos mais tarde, voltou a pedir para ser riscado da edição de 2015 do restrito guia. 

Quando Julio Biosca abriu a Casa Julio numa povoação perto de Valência, nunca imaginou que um dia poderia vir a ganhar o maior galardão mundial para a restauração. Mas com muito trabalho e dedicação à causa, quando a 24 de novembro de 2009 o restaurante teve direito a entrar pela primeira no restrito guia mundial do sector, o seu proprietário pensou que tudo não passava de uma mentira.

A distinção manteve-se nos quatro anos seguintes. Mas agora, chegados à edição de 2015, Julio Biosca acaba de pedir à produção do guia Michelin para não mais integrar tão distinta lista. Ao "El País", o proprietário afirma nunca ter tido problemas com o guia, embora reconheça que nunca gostou "do mundo que se gerou à nossa volta".

Já em 2013 Biosca pedira para sair da lista dos melhores do mundo. Mas por qualquer razão o pedido não foi satisfeito. "Quando toda a gente te começa a dizer que o teu restaurante é o melhor, chega o dia em que a loucura te entra pela porta e tu ficas maluco", refere.

Na entrevista ao diário espanhol, Julio Biosca diz que a sua rotina se alterou completamente a partir do momento em que ganhou a primeira estrela Michelin. Por uma simples razão: "Nunca mais consegui dormir sossegado". Pelos vistos, ganhar uma estrela Michelin não tem de ser, necessariamente, um motivo de alegria para todos os eleitos.

Juntamente com o seu sócio José Luis, Julio Biosca deixou de acreditar nos elementos que definem um restaurante galardoado. Sentia que queria "fugir disto tudo" e escolheu uma vida, como muitos outros, para além da Michelin.

Desta vez o chefe espanhol teve mais sorte. A edição de 2015 do guia, recentemente divulgada, já não inclui a Casa Julio. De resto, o restaurante valenciano não é o primeiro a recusar a distinção. Já em 2005 o chefe Alain Senderens desistiu das três estrelas que tinha alcançado. Este ano Fredrick Dhooghe, chefe belga, afirmou que queria "voltar a sentir-me livre a servir pratos de frango assado, sem me dizerem que não é um prato digno de uma estrela Michelin". E em 2003 o chefe francês Bernard Loiseau entrou em depressão quando surgiram rumores de que iria perder a terceira estrela.