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Emigrantes ilegais portugueses podem ter de sair do Canadá. Governo pronuncia-se dentro de 15 dias

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Otava assegura que não vai permitir que os trabalhadores ilegais fiquem no Canadá depois de expirados os seus contratos. Autoridades não revelam o número de emigrantes que terão de sair, mas admite-se que sejam mais de 70 mil, muitos deles portugueses.

O Governo canadiano assegura que dentro de duas semanas vai pronunciar-se sobre os trabalhadores portugueses que ficaram numa situação ilegal no país na sequência de os seus contratos terem expirado.



O ministro da Cidadania e Imigração do Canadá, Chris Alexander, reuniu-se esta segunda-feira com representantes da comunidade portuguesa, em Brampton, no sul do Ontário, e prometeu auscultar outros elementos do governo conservador no sentido de tentar resolver a situação, disse o advogado José Bento Rodrigues, que assistiu à reunião.



"Vamos ver o que será anunciado dentro de duas semanas. Se uma pessoa não tem instrução, ou qualificações académicas, se não tem domínio da língua inglesa, não vale a pena tentar imigrar para o Canadá. Foi um pouco desapontante ouvir isso do ministro, pois este país é criado não necessariamente por pessoas que têm instrução mas que trabalham arduamente", sustenta o advogado natural de Ponta Delgada (Açores), há 11 anos no Canadá.



José Bento Rodrigues também sublinha a questão do polémico teste de inglês (com um grau de dificuldade elevado) para os candidatos à residência permanente, questionando porque essas pessoas necessitam de saber inglês. "Qual é a necessidade de haver um domínio da língua inglesa? A resposta do ministro foi de que está comprovado que quanto maior for o domínio da língua melhor é o sucesso desses emigrantes. É algo que questiono, porque há exemplos de muitos emigrantes portugueses que foram muito bem-sucedidos, mesmo não tendo instrução e domínio da língua", acrescenta.



O advogado defendeu no encontro com o ministro canadiano que a lei que dita que um trabalhador estrangeiro temporário, após os quatro anos de contrato, não o pode renovar deve ser suspensa. É algo que, afirma, "não faz nenhum sentido quando as próprias empresas necessitam desses trabalhadores".



Otava deve garantir que o programa de imigração seja "uma opção permanente" para trabalhadores que, embora não sejam qualificados academicamente, desempenham as suas funções "muito bem e dão o seu contributo importante para a economia". Perante isto, apesar de não concordar com a política praticada pelo Governo, José Bento Rodrigues salienta a importância da disponibilidade do governante para a reunião com a comunidade portuguesa.



O Governo canadiano assegurou no dia 2 de abril que não vai permitir que os trabalhadores ilegais fiquem no país depois de os seus contratos de quatro anos terem expirado. A imprensa revelou que milhares de trabalhadores estrangeiros temporários teriam que abandonar o Canadá dado os seus vistos de trabalho terem expirado no dia 1 de abril.



As autoridades não revelaram o número de emigrantes que terão de sair, mas alguns grupos de advogados avançaram com mais de 70 mil trabalhadores.



Este foi um dos motivos que levou Manuel Alexandre, de 62 anos, um dos promotores da reunião, a entrar em contacto com o deputado federal de Brampton Oeste, Kyle Seedback (conservador), para solicitar o encontro com Chris Alexander. "Se os conservadores neste momento não tomarem uma ação a 100%, será muito difícil para eles ganharem as eleições [federais de outubro de 2015]. Uma grande parte da nossa comunidade é conservadora, mas devido a este grande problema que tem acontecido na imigração estão a perder crédito. Exijo que o partido faça alguma coisa pela nossa comunidade", afirma o emigrante natural de Unhais da Serra (Covilhã).



Oficialmente, há 429 mil portugueses e lusodescendentes no Canadá (censos de 2011), mas calcula-se que existam, na verdade, cerca de 550 mil, estando a grande maioria localizada na província do Ontário. Estima-se que 60 a 70% sejam de origem açoriana.