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Em Paris, os designers portugueses não foram de modas

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Fátima Lopes apresentou a sua coleção outono-inverno 2015-2016 na Torre Eiffel, mas fintou as perguntas sobre as dívidas da sua empresa. Luís Buchinho e Diogo Miranda escolheram a Biblioteca Nacional de França, uma das mais bonitas do mundo

Nelson Marques, em Paris

A história da passagem dos designers portugueses Fátima Lopes, Luís Buchinho e Diogo Miranda pela Semana de Moda de Paris (calendário não oficial), última etapa do roteiro internacional do Portugal Fashion, conta-se em três números, correspondentes a três datas simbólicas: 50, 25 e 1.

Comecemos pelo maior. No sábado, a madeirense Fátima Lopes escolheu um desfile à noite na Torre Eiffel, uma coleção "mais vestível" e uma nova marca de sapatos, projeto sonhado há mais de 20 anos, para celebrar o seu 50.º aniversário, que se assinalou este domingo. No final, evitou falar sobre as dívidas da sua empresa, que têm sido notícia na imprensa nas últimas semanas. O tempo, disse, era de "olhar em frente".

E longe vai o tempo em que, no início do século, a criadora se apresentava em Paris com um biquíni milionário em ouro e diamantes. Agora, quer fazer roupas que as mulheres possam vestir. E comprar, claro está. Se mais clientes não houvesse, uma pelo menos estaria garantida. "É uma coleção para mim. Quero vestir tudo", disse aos jornalistas no final.

Desfile de Fátima Lopes

Desfile de Fátima Lopes

Chamou-lhe "Black Rainbow" (arco-íris preto), uma contradição assumida pela própria. Mas quando o pano desceu sobre o desfile, foi outra morena, com a beleza delicada das francesas, quem foi rodeada pelas objetivas dos fotógrafos.

Ao Expresso, a atriz Lucie Lucas confessou-se apaixonada pelo Porto, onde acabou de gravar o filme "Porto, Mon Amour", com estreia marcada para o próximo ano. Podia ser a história dela. "Apaixonei-me pelo Porto. Quero ir para lá viver", contou. Lucie gostou "muito do desfile". O vestidinho de verão preto que levou para o evento, apesar da noite fria, era "de Fátima Lopes", revelou. Mas confessou não conhecer nem a criadora portuguesa nem o trabalho desta, apesar do convite que lhe foi endereçado. Depois, despediu-se com um até breve: "Talvez nos vejamos no Porto". 

 

As bodas de prata de Buchinho e o batismo de Diogo Miranda A comemorar 25 anos de carreira, Luís Buchinho apresentou-se este domingo na capital francesa com uma coleção, batizada "Comics", que revisita a sua obsessão, desde cedo, "pela banda desenhada, a ilustração e o design gráfico". Antes mesmo do desfile começar, o criador já tinha conquistado a audiência, com a escolha da Sala Oval da Biblioteca Nacional de França, uma das mais bonitas do mundo. O resto foi aquilo que se espera de Buchinho: uma coleção sólida, onde mesmo as silhuetas mais fortes, por vezes masculinas, favorecem a mulher como muito poucos designers nacionais conseguem fazer.

Desfile de Luís Buchinho

Desfile de Luís Buchinho

Entre os dois veteranos, destacou-se um dos mais talentosos criadores da nova geração: Diogo Miranda. Confessando estar "a viver um sonho", o estilista, de 26 anos, apresentou-se em Paris pela primeira vez com uma coleção pensada para a capital francesa. Elegantes e sofisticadas, com inspiração bebida do mundo da alta-costura, as peças de Miranda são as de um homem que percebe as mulheres e que cria para que estas possam brilhar. O futuro da moda portuguesa está bem entregue.

Desfile de Diogo Miranda

Desfile de Diogo Miranda