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Economia: Grupos sugam o Orçamento... até chegar o FMI

"COM A PARTICIPAÇÃO portuguesa no euro, o custo de não consolidar as finanças públicas deixou de ser a possibilidade de uma crise cambial e passou a ser o empobrecimento gradual do país, como se está a verificar nos últimos anos. A consolidação orçamental não está feita.

" Este excelente diagnóstico foi apresentado no Programa do XVII Governo, aprovado a 22 de Março de 2005 (I, iv, 2). Este cenário hoje, cinco anos passados, permanece verdadeiro. E continua a ser o mais provável para 2015: empobrecimento gradual.

É possível um cenário alternativo. Portugal já enfrentou duas vezes uma situação semelhante à actual, em 1977 e em 1983. Em ambos os casos, o FMI resolveu o desequilíbrio em menos tempo que o que nos separa de 2015. Mas na altura tínhamos duas vantagens, que hoje não existem. Primeiro, éramos um país pobre. Segundo, éramos um país vulnerável, com uma frágil moeda própria.

O nosso drama actual, aquilo que paralisou o cenário de 2005 a 2010, é que somos um país rico e seguro.De facto, a questão central, que decidirá qual dos dois cenários existirá em 2015, não é produtiva, não é financeira, não é sequer económica.

O problema português é político-social. Grupos instaladosconseguem, através do Orçamento deEstado, sugar muito mais do quecontribuem para o país. Isso bloqueia as contas públicas, endivida o país, estrangula os contribuintes. A máquina produtiva, enfraquecida pela sangria, ainda consegue competir na Europa, mas não dá para lançar grandes crescimentos e reduzir o desemprego.

O diagnóstico é claro entre mercados e especialistas, mas não na população. Ainda não é consensual ver o Orçamento de Estado como um saque injusto da produção nacional a favor de direitos adquiridos.

Por isso, o diagnóstico, sendo comum em relatórios e comentadores, não pode ser assumido por qualquer líder político que queira ganhar eleições (Ferreira Leite assumiu e perdeu).

Será que até 2015 dá tempo para o povo perceber, os políticoschamarem o FMI e a austeridade funcionar?

Este artigo foi publicado na Revista Única de 10 de Abril.