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DIAP investiga falência do Círculo Universitário do Porto

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O Círculo Universitário do Porto, com 200 associados e cujos espaços serviam de cartão de visita da Universidade do Porto, está em fase de liquidação. Mas há uma investigação judicial em curso.

O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto está a investigar eventuais desvios de dinheiro e negócios paralelos no Circulo Universitário do Porto (CUP), na sequência de uma denúncia apresentada pela última direção, liderada por Teresa Lago. A suspeita recai num ex-funcionário da casa.

O CUP está em fase de liquidação e será extinto, depois de funcionários com salários em atraso terem pedido no fim de 2014 a falência da associação privada, criada em 1989 para promover "o encontro e a convivência dos docentes universitários e o intercâmbio entre universidades".

A Universidade do Porto (UP) estava impedida pelos estatutos de financiar ou socorrer o clube, apesar do  reitor ser por inerência o presidente da direção.

Ao longo de 2014, o CUP foi agravando a sua situação financeira até ficar sem dinheiro para pagar os salários aos oito funcionários. Na altura não se imaginava que poderiam ter sido cometidas irregularidades.

Ao esmiuçar as contas para perceber as falhas e serviço e como se chegou a colapso, a direção terá verificado movimentos de dinheiro e produtos sem justificação, conduzindo a perdas para o CUP da ordem dos 50 mil euros. As sucessivas direções habituaram-se a confiar na gestão corrente, abdicando de uma apertada vigilância sobre as operações diárias. Mas o caso está agora a ser investigado pelo DIAP.

A reitoria confirma ao Expresso "ter conhecimento da existência de um processo de averiguação de alegadas irregularidades" acionado pela última direção, mas "não é responsável pelo processo". Teresa Lago, recentemente aposentada, não esteve contactável ao longo da semana por se encontrar numa viagem ao estrangeiro, de que regressa depois do dia 15.

Concessão vai a concurso

Ocupando uma casa apalaçada cedida pela UP na zona universitária do Campo Alegre, o Círculo Universitário do Porto funcionava como um clube para docentes, com restaurante e espaços (entre os quais uma tenda nas traseiras) para a realização de festas e eventos.

Contava com 200 associados e servia de cartão de visita da Universidade do Porto, que escolhia os seus espaços para cerimónias oficiais. As suas receitas eram as quotas dos associados e os serviços de hotelaria e restauração prestados.

Nas duas assembleias gerais, no fim de 2014, em que analisaram a situação crítica do CUP, os sócios encararam a hipótese de abrir o clube a empresas e associados coletivos, mas o pedido de insolvência travou soluções alternativas e precipitou a extinção. 

Entretanto, a UP já tomou posse administrativa do edifício e vai lançar este mês um concurso de concessão do espaço vocacionado para o serviço de restauração, de forma a evitar que fique encerrado e sem utilização durante um longo período de tempo.