Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Despistar o HIV é a palavra de ordem no combate à SIDA

Novo relatório sobre a evolução da SIDA diz que 19 milhões de pessoas estão infetadas sem saberem. O desconhecimento é o maior aliado desta pandemia que continua a atingir a África mais do que qualquer outro continente.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

"Viver ou morrer não pode depender de se ter acesso ou não a testes de HIV", defende Michel Sidibé, diretor executivo do programa de luta contra a Sida das Nações Unidas.

O vírus da Sida afeta atualmente 35 milhões de pessoas em todo o mundo, embora se estime que cerca de 19 milhões desconheçam ser portadores da doença.

O novo relatório sobre a evolução do vírus será debatido na 20.ª Conferência Internacional sobre a SIDA, que se realiza em Melbourne, na Austrália, de 20 a 25 de julho.

Segundo o estudo, a partir do momento em que pacientes descobrem que são portadoras da doença procuram tratamento, via de primordial importância para estancar a epidemia.

"Na África subsariana 90% dos doentes que acusam positivo procuram terapia através de antirretrovirais", refere Michel Sibidé, sublinhando que "76% suprimiram o vírus, o que torna improvável a sua transmissão aos parceiros sexuais".

Apesar de o número de infetados ter caído 13% nos últimos três anos, com uma queda de 58% de infeções nas crianças desde 2001, os sinais positivos de combate à doença não são similares em todo o planeta.

Enquanto nas Caraíbas o número de infetados decresceu em cerca de 40% na última década, novos casos continuam a surgir (8%) em alguns países da Europa Ocidental e do Norte de África, tal como no Médio Oriente (7%), Europa do Leste e Ásia Central (5%), desde 2005.

Há esperança na erradicação da epidemia

Segundo o relatório, em 2013 registou-se um crescimento de 2,3 milhões de pessoas com acesso a terapia, elevando para 13 milhões o número de pessoas em tratamento.

"Se intensificarmos o número de pacientes sob tratamento, estaremos no caminho para erradicação da epidemia em 2030", acredita Sibidé.

Caso contrário, o responsável pelo programa da ONU prevê que o risco só possa vir a ser controlado no mínimo uma década depois.

O estudo revela que, em 2013, mais 75% de novos casos de HIV surgiram em apenas 15 países, ocorrendo as situações de maior descontrolo na Nigéria, África do Sul e Uganda, que concentram 48% dos mais recentes infetados.

Sibidé adverte que o risco de contrair o vírus é 28 vezes maior entre os toxicodependentes que recorrem a seringas, 12 vezes maior nos grupos de trabalhadores do sexo e 49 vezes superior entre transexuais do que no resto da população adulta.

Desde o início da epidemia, entre 71 a 87 milhões de pessoas foram infetadas com o vírus, que provocou a morte de cerca de 40 milhões devido a complicações relacionadas com a infeção.