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Curso superior permite ganhar até 1,7 milhões de euros a mais ao longo da vida

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Cálculos pedidos pelo Conselho Nacional de Educação mostram diferenças médias de salário acentuadas entre quem é licenciado e quem se fica pelo 9º ano ou pelo ensino secundário

Tirar um curso superior compensa e as vantagens ficam bem provadas pela diferença de remuneração entre quem tem um diploma e quem se fica por níveis de ensino mais baixos. Comparando o que ganha um licenciado ao longo da sua vida ativa (entre os 20 e os 65 anos) com o que ganha um trabalhador que não tenha ido além do 9º ano a diferença salarial acumulada supera os 1,7 milhões de euros.

E mesmo que a comparação seja feita em relação a alguém que tenha o 12º completo, as diferenças de remuneração mantêm-se elevadas: quase 1,3 milhões de euros a mais ao fim de uma vida profissional. Os números foram divulgados esta terça-feira por David Justino, presidente do Conselho Nacional de Educação, na conferência Educação 2020 - Agenda para uma legislatura, promovida pela Associação Empresários pela Inclusão Social (EPIS).

Os cálculos foram feitos por Mário Centeno, economista do Banco de Portugal, a pedido do CNE, a partir da evolução do salário real médio por nível de ensino e idade no setor privado. As diferenças mostram que Portugal continua a ser "um país de doutores", comenta David Justino. E mostram que, além dos custos da retenção para o sistema de ensino (calculados em 600 milhões de euros pelo conjunto de 150 mil alunos que chumbam todos os anos), existem custos ainda mais relevantes para cada jovem que não completa um ciclo de ensino a mais.

Alunos não chumbam por causa dos exames

O presidente do Conselho Nacional de Educação e ex-ministro da Educação voltou a recordar os números "intoleráveis" apresentados este mês sobre a realidade do insucesso escolar - aos 15 anos um em cada três alunos já chumbou pelo menos uma vez no ensino básico e 40% dos alunos do secundário apresentavam em média 2,25 anos de atraso em relação à idade normal de conclusão -, mas fez questão de esclarecer a posição assumida por este órgão consultivo.

"O CNE nunca falou em abolir os exames. Aliás, demonstrámos que o efeito dos exames na retenção é absolutamente residual. O que está em causa é o efeito das aprendizagens e a necessidade de intervir precocemente aos primeiros sinais de dificuldade", defendeu David Justino.

De acordo com as contas do CNE, no 4º ano por exemplo, apenas 0,53% dos alunos tiveram negativa a Português por mau desempenho nos exames. No 6º e 9º anos, as percentagens são ainda mais baixas.