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Crato acaba com Inglês obrigatório no 1.º ciclo

Ao encurtar as Atividades de Enriquecimento Curricular o ministro da Educação acabou com a obrigatoriedade do ensino de Inglês. Cabe às escolas decidir.

Há escolas que, este ano letivo, deixaram de oferecer Inglês no 1.º ciclo ou que mantêm a oferta apenas em alguns anos de escolaridade, enquanto outras continuam a ensinar a língua. A variedade de situações é possível já que os estabelecimentos de ensino deixaram de ser obrigados a facultar estas aulas.

O fim da obrigatoriedade foi determinado por um despacho de julho, assinado pelo ministro da Educação. Apesar de ter mantido o período de funcionamento das escolas do 1.º ciclo até às 17h30, Nuno Crato mandou reduzir as Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) para metade do tempo. E retirou a obrigatoriedade do ensino de Inglês, introduzida pela primeira vez em 2005, no tempo de José Sócrates.

Alberto Gaspar, diretor da Associação Portuguesa de Professores de Inglês, confirma esta variedade de situações que está acontecer nas escolas, alerta para a situação "caótica" em relação ao ensino da disicplina e diz que a situação é "inaceitavel".

Na edição de hoje do "Correio da Manhã" é referido o caso do Agrupamento de Escolas do Restelo que já informou os pais do fim da oferta de Ingês no 1.º ciclo. 

A notícia surge uma semana depois de Nuno Crato ter anunciado a criação de uma prova nacional de Inglês no 9.º ano, a ser realizada por todos os alunos. "Valorizar" o ensino da disciplina foi um dos argumentos apresentados pelo ministro para a criação deste exame que, para já, poderá não contar para a nota final. Mas deverá ser esse o próximo passo, disse também o ministro.

Questionado pelo Expresso, o gabinete do ministro explica que o despacho de julho "deu liberdade às escolas para que, no âmbito da sua autonomia, optassem pelas ofertas de Atividades de Enriquecimento Curricular que melhor se enquadrassem no seu projeto educativo, tendo o Inglês como área recomendada."

Numa resposta por escrito, o Ministério da Educação lembra que o Inglês não era de oferta obrigatória no 2.º e 3.º ciclos do ensino básico - os alunos podiam escolher as disciplinas de língua estrangeira que queriam ter, ainda que quase todos optassem mesmo pelo Inglês - "fazendo com que todos os alunos tenham um mínimo de 5 anos de aprendizagem da língua".

O problema, lembra Alberto Gaspar, é que haverá agora alunos a chegar ao 5º ano com zero anos de inglês, outros com um, dois, três ou até quatro, dependendo da escola que frequentaram. Além disso, acrescenta, a reduzida carga horária - 90 minutos por semana no 9.º ano - e o elevado número de alunos por turma "impedem o desenvolvimento de competências escritas e orais" que irão ser testadas na nova prova de Inglês.