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Construtor que deu presente a Salgado queixa-se de ter perdido 25 milhões com o fim do BES

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Luís Barra

O empresário José Guilherme, que deu uma prenda no valor de 14 milhões de euros a Ricardo Salgado, já enviou as respostas por escrito aos deputados da comissão parlamentar de inquérito que investiga o caso BES. Diz que perdeu 25 milhões com o fim do banco, "podendo vir a perder muito mais".

Rui Gustavo e Martim Silva

Depois de ter faltado à chamada dos deputados da comissão de inquérito, alegando viver em Angola e ter vários problemas de saúde, a solução encontrada para ouvir José Guilherme foi um depoimento por escrito. Os deputados enviaram as perguntas e esta terça-feira chegaram as respostas. Oito páginas escritas a computador.

O empresário, amigo pessoal de Ricardo Salgado e a quem fez uma oferta no valor de 14 milhões de euros, argumenta com o facto de o processo Monte Branco estar em segredo de Justiça para não prestar qualquer esclarecimento sobre a generosa prenda que decidiu dar ao banqueiro.

Nas respostas, que não esclarecem grande parte das dúvidas sobre o colapso do Grupo Espírito Santo, José Guilherme garante ter perdido "25 milhões de euros" com a resolução do Banco de Portugal "podendo vir a perder muito mais". O empresário, que se dedica especialmente ao sector imobiliário, adimte que era "parceiro de negócios do BES" e revela que tinha, em agosto de 2014, uma dívida de 121 milhões de euros para com o BES, agiardando atualmente que o Novo Banco negoceie o valor da dívida e "a restruturação da mesma".

A ausência de José Guilherme da comissão, e o facto de o Expresso ter noticiado que esteve em Portugal na mesma altura em que deveria ter sido inquirido, já levaram os deputados a participar o caso ao Ministério Público, para averiguar se terá praticado um crime de desobediência.