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Sociedade

Conquistar o mundo com serviços e saúde

Emigrantes portugueses influentes reúnem-se esta segunda-feira para mais um encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa. Vão discutir formas de dinamizar a economia e melhorar a imagem externa do país.

João Ramos e Virgílio de Azevedo

Aumentar a criação de riqueza em Portugal através da exportação de serviços e da instalação de centros de excelência na área da saúde é o mote do encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa, que se realiza nesta segunda-feira, em Cascais.

Perto de 50 portugueses e lusodescendentes influentes a viver no estrangeiro voltam a reunir-se pela segunda vez em plena época natalícia com o patrocínio do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. O objetivo do evento, que resultou de uma ideia do empresário Filipe de Button, é contribuir para que o país possa encontrar os caminhos do desenvolvimento e da prosperidade através da atração de investimento estrangeiro. Porém, não são só economistas e gestores a marcar presença. Também fazem parte desta rede de 'embaixadores' - World Portuguese Network -  individualidades das áreas da cultura, mundo artístico e ciência que residem em 16 países de quatro continentes.

Armando Zagalo de Lima, vice-presidente da Xerox, vai apresentar um estudo que mostra o potencial de Portugal para a atração de serviços nearshore (deslocalização de centros de suporte, outsourcing de processos e centros de inovação) de multinacionais, em alternativa a países longínquos como a Índia (offshore). "Nos últimos anos foram alcançados bons resultados que permitiram aumentar as exportações e criar emprego qualificado, mas podemos ir muito além se forem tomadas as alavancas adequadas", defende Armando Zagalo de Lima. "Este estudo é único no âmbito do Conselho da Diáspora porque atinge um certo nível de detalhe. Por exemplo, damos pistas às universidades portuguesas sobre os perfis de engenheiros que vão ser necessários nos próximos anos", acrescenta o executivo da Xerox.

Ao todo, Portugal já acolheu mais de 40 deste tipo de investimentos, que terão dado origem a mais de 13 mil postos de trabalho e a exportações no valor de 1300 milhões de euros em 2013 (segundo dados da consultora Gartner). Portugal já terá conseguido conquistar uma fatia de 9% do mercado mundial destes serviços, mas Zagalo de Lima defende que o país pode ir muito mais longe e atingir o segundo lugar do ranking mundial dos países destino do nearshore, atrás da Polónia e  ultrapassando países como a Hungria, Roménia e República Checa.

 

Estratégia de prevenção ?das doenças

Ronald DePinho, o luso-americano que é presidente do MD Anderson Cancer Center na Universidade do Texas em Houston (EUA), falará no painel  "Prevenção da Doença e Promoção da Saúde" sobre os três pilares fundamentais para o sucesso de uma estratégia de prevenção das doenças: as empresas que têm programas de bem-estar para os seus empregados, a educação dos jovens e a formação dos profissionais de saúde. E dará pistas sobre as oportunidades de investimento em Portugal nos serviços de saúde e na investigação clínica no contexto desta estratégia. 

Conhecido a nível internacional pela investigação fundamental e clínica que tem desenvolvido ou promovido nas áreas do cancro, do envelhecimento e das doenças degenerativas a ele associadas (Alzheimer, Parkinson), Ronald DePinho tem concentrado os seus projetos de pesquisa do cancro no cérebro, intestino, pâncreas e próstata. Hoje está mais ligado à gestão destes projetos do que à atividade de investigador, angariando financiamentos e contratando cientistas de topo para estudar a fundo aqueles tipos de cancro. DePinho aposta na combinação da investigação com o uso de novas tecnologias e de táticas de empreendedorismo.

 

Ponta de lança no cinema

Joana Vicente, produtora de cinema em Nova Iorque e diretora executiva do Independent Filmmaker Project (IFP), é uma das mais recentes aderentes ao Conselho da Diáspora Portuguesa. Ocupa uma posição-chave na sofisticada indústria de cinema independente  (indie) norte-americana, tendo produzido filmes, em parceria com o seu marido Jason Kliot, para grandes nomes da  sétima arte como Brian de Palma ou Hal Hartley.

Não vai estar presente no encontro deste ano em Cascais, mas diz-se empenhada em colaborar nas iniciativas desta rede de portugueses no mundo. Enquanto responsável pela principal organização norte-americana de cinema independente mostra-se disponível para "abrir portas aos cineastas portugueses" e "promover ciclos de cinema português", apesar de admitir que é difícil às cinematografias estrangeiras captarem a atenção dos americanos. E defende que Portugal tem condições para atrair a rodagem de mais produções. "Temos clima, paisagens e técnicos, mas falta criar um adequado sistema de incentivos financeiros", afirma Joana Vicente.

Esta portuguesa, que reside com a família nos Estados Unidos há 20 anos, também tem responsabilidade pelo NY Media Center, uma incubadora de start-ups tecnológicas ligada ao IFP que está vocacionada para a área dos media digitais. "Gostaria de apoiar projetos inovadores de empreendedores portugueses", confessa Joana Vicente.

Outra aderente ao Conselho da Diáspora é Ana Paula Lopes, há 45 anos no Canadá e com uma longa carreira no serviço público na área da saúde, com destaque para a psiquiatria e a toxicodependência. Atual presidente do conselho de administração da Fundação Centro para a Adição e Doenças Mentais (CAMHF), foi considerada em 2013 como uma das 100 mulheres mais influentes do Canadá. Com um trabalho destacado também na filantropia, faz questão de promover em Toronto, onde vive, os artistas, políticos ou cientistas portugueses e, como diz, "chamar sempre a atenção para o que está a acontecer em Portugal".

Cidália Luís Akbar, presidente da construtora M. Luís Construction, é outra das aderentes ao Conselho da Diáspora e que vai marcar presença na reunião de Cascais. "Sinto uma profunda necessidade de participar, difundir e elevar a marca Portugal nos Estados Unidos e em particular em Washington DC", refere a líder desta empresa familiar na área da construção sediada em Washington. Cidália Luís Akbar visita Portugal pelo menos uma vez por ano e não exclui a possibilidade de fazer negócios neste lado do Atlântico, por acreditar que o país "oferece muitas oportunidades".