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Concurso público do Bolhão é lançado depois do verão

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Rui Moreira explicou aos comerciantes do Bolhão e convidados as obras que serão efetuadas no mercado portuense

Rui Duarte Silva

Rui Moreira compromete-se em cerimónia pública a um avanço sem retorno no processo de reabilitação do mercado.

Agora é definitivo e já não há desculpas. As obras de reabilitação do mercado do Bolhão vão mesmo arrancar. Pelo menos foi esse o compromisso assumido por Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, durante uma cerimónia pública de apresentação do projeto de requalificação realizada ao fim da manhã nas galerias do degradado mercado.

Depois de tantas promessas, de tantos projetos falhados, de tantos décadas passadas desde a identificação dos problemas que estavam a afetar o Bolhão, o que marca a diferença em relação à sessão desta quarta-feira é a constatação de que a concretização, ou não, do processo agora iniciado depende em exclusivo da autarquia.

Obra de 20 milhões de euros

Isto porque os excedentes orçamentais permitem canalizar a verba necessária - um pouco mais de 20 milhões de euros - independentemente dos apoios comunitários que venham a ser conseguidos ou da sensibilização de mecenas.

A verba necessária para esta intervenção, "incluindo a construção do mercado que transitoriamente acolherá os atuais comerciantes e todo o conjunto de despesa" prevista em diferentes alíneas são "um investimento pesado, mas sustentável para as boas contas do Porto", garante Rui Moreira.

Ao falar perante uma plateia constituída por comerciantes e inúmeros convidados, o autarca não quis comprometer-se com datas para a conclusão da obra, mas tudo indica que antes do início de 2018 não deverá estar concluída.

Concurso depois do verão

O concurso internacional só será lançado após o verão, e até à sua conclusão decorrerá sensivelmente um ano. Depois será o efetivo início da obra, que deverá consumir, pelo menos, outro ano.

Nesse período intermédio, os comerciantes serão instalados num mercado provisório a ser construído, ou no quarteirão da Casa Forte, em frente ao Bolhão, ou noutro espaço da autarquia.

Tem sido referido como alternativa o Siloauto, um grande parque de estacionamento a pouco mais de cem metros do mercado. A hipótese preferida é a do quarteirão da Casa Forte, mas a iminência do início da intervenção urbanística que para lá está projetada poderá ser incompatível com os prazos do projeto do Bolhão.

As soluções encontradas pela equipa de arquitetos e outros especialistas dirigidos por Nuno Valentim serão "propositadamente conservadoras", mas não serão "um lavar de cara", assegura o presidente da Câmara.

Intervenções profundas

Os problemas estruturais do edifício, a degradação de um século de desgaste e o adiar de soluções, diz Rui Moreira, "tornaram este mercado muito doente e a precisar de intervenções muito profundas. Também as exigências de modernidade nos obrigam a intervir em soluções tecnológicas atuais".

Terá, assim, de ser garantida a elevação, através de elevadores, de pessoas com mobilidade reduzida, assegurada a realização de cargas e descargas em condições de segurança e sem atropelos.

Outra preocupação do projeto será a preocupação "com o conforto dos comerciantes e dos visitantes; as condições de segurança humana e alimentar; o acesso fácil e confortável a partir de transporte público; redes de eletricidade, esgotos, frio e aquecimento modernas e muitas outras valências exigidas em pleno século XXI têm que estar presentes".

Um dos convidados mais atentos a tudo quanto se dizia era Alcino Sousa, presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado do Bolhão, cansado de tantas promessas esfumadas ao longo dos tempos.

Por isso foi com grande expectativa que viu serem delineadas algumas das linhas de força da nova intervenção. Não a conhece em detalhe, mas o que já lhe foi dado perceber deixa-o, pelo menos, confiante. Desde logo, Alcino Sousa ressalta o facto de Rui Moreira ter "apresentado o projeto no Bolhão, dando a cara". Reconhece que o projeto, tanto quanto foi até agora divulgado, "respeita a identidade" e poderá "dar uma nova vida ao mercado".