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Companhias aéreas portuguesas obrigadas a ter sempre dois tripulantes no cockpit

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FOTO TIAGO MIRANDA

Até aqui, e no que se refere à TAP, era o comandante quem decidia o que fazer caso um dos membros do cockpit se ausentasse.

Com efeitos imediatos, as companhias aéreas com sede em Portugal (TAP, SATA, Euroatlantic, White e HiFly) passarão a ter sempre dois tripulantes em simultâneo no cockpit dos seus aviões, apurou o Expresso. Por exemplo, se o piloto sair momentaneamente do cockpit, um outro membro da tripulação terá de entrar e ficar. A medida já foi entretanto confirmada pelo Governo. 

Conforme o secretário de Estado dos Transportes avançara quinta-feira ao Expresso, "sendo uma medida de cariz técnico, o Governo solicitou quinta-feira ao Instituto Nacional de Aviação Civil, enquanto regulador sectorial, que recomendasse sobre a necessidade de medidas de reforço de segurança de voo". Depois de recebida a recomendação, Sérgio Monteiro anunciou a decisão esta sexta-feira de tarde.

Na próxima semana, o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) terá um relatório completo sobre questões de segurança. Em comunicado, o regulador refere ter decidido, "a título preventivo, emitir uma diretiva de navegabilidade, no âmbito da qual passará a ser obrigatório que as companhias aéreas mantenham em permanência, no mínimo, dois tripulantes no cockpit, em todas as fases do voo, com vista à mitigação deste tipo de riscos". "A referida diretiva será ainda hoje divulgada junto de todos os operadores", lê-se ainda. 

Até aqui, e no que se refere à TAP, era o comandante quem decidia o que fazer caso um dos membros do cockpit se ausentasse. Mas "nada impede que uma decisão desse tipo (impor a permanência de mais de duas pessoas) possa ser tomada", referia quinta-feira ao Expresso fonte oficial da companhia. A medida acabou mesmo por ser imposto pelo Governo.

Na TAP, os pilotos têm de fazer testes médicos até aos 60 anos para poderem renovar a licença. A partir dessa idade, a análise acontece de seis em seis meses. Mas os testes psicológicos não são obrigatórios.

A questão do reforço da segurança de voo colocou-se após o acidente do avião da Germanings e depois de o governo canadiano ter decidido obrigar as companhias aéreas a mudar algumas regras, na sequência da informação de que o acidente da Germanwings, esta terça-feira, foi provocado pelo copiloto depois de impedir a entrada do piloto no cockpit. 

As companhias aéreas EasyJet, Norwegian, Icelandair, Air Canada, Air Transat e Lufthansa (dona da Germanwings) também já anunciaram que irão passar a impor a presença em permanência de duas pessoas no cockpit dos aviões.