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Começaram as demolições na Ria Formosa

Perto de oito centenas de edificações irão abaixo na Ria Formiosa até final de 2015

Rui Ochôa

As 23 edificações existentes no ilhote do Ramalhete, na Ria Formosa (Algarve), são as primeiras a ir abaixo. No total, o Ministério do Ambiente contabiliza 808 estruturas - entre casas, casebres e barracões - que serão demolidas nas Ilhas Barreira até final de 2015. Para demolições e recuperação dos espaços naturais prevê-se um investimento total de mais de 17 milhões de euros.

Carla Tomás e Sofia Miguel Rosa (infografia)

As primeiras edificações a demolir situam-se no ilhote do Ramalhete, uma extensão de areia onde se chega por terra, atravessando um sapal. As pessoas que detinham estes espaços de segunda habitação e arrumos já retiraram os respetivos pertences e algumas até levaram as casas pré-fabricadas por inteiro. Esta quarta-feira avançaram as máquinas para arrasar o que ficou.

Para marcar o momento anunciado há mais de 10 anos, o ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território esteve no local. "Não queremos que o cenário de destruição pelo mar vivido na Fuseta, em 2010, se repita noutros locais", sublinhou Jorge Moreira da Silva, recordando que, há quatro anos, naquele outro canto das Ilhas Barreiras, vagas de mais de seis metros se encarregaram de derrubar a maioria das casas ali erguidas.

As máquinas fizeram o resto e hoje é um espaço renaturalizado. No total, entre os ilhotes - Ramalhete, Deserta, Cobra, Ratas, Coco e Altura - somam-se 193 casas ou casebres para deitar abaixo até ao final do ano.

Navegue no mapa onde estão assinaladas as intervenções previstas, incluindo as zonas de renaturalização a verde e de reestruturação a azul.

 A partir de janeiro as máquinas irão derrubar mais cerca de 700 edificações entre casebres, arrumos e casas de segunda habitação) nas zonas poente e nascente da Ilha de Faro (península do Ancão), nos Hangares, na zona nascente do Farol e no núcleo da Culatra. Na área poente da ilha do Farol, na Armona e na zona desafetada do domínio público marítimo da Praia de Faro serão futuramente.

No total, serão realojadas 110 famílias. Das oito centenas de casas a demolir, "apenas 12% são de primeira habitação", afirma o ministro. Moreira da Silva garante que as autoridades tiveram "grande cuidado com as questões de apoio social e que nenhuma habitação será demolida sem que as pessoas sejam realojadas". O ministro lembra também que "a zona costeira de Portugal tem uma elevada vulnerabilidade à erosão".

Para as intervenções de demolição nas ilhas Barreira está previsto um investimento de €9,7 milhões e para a recuperação e renaturalização daqueles espaços mais €7,5 milhões, o que totaliza mais de €17 milhões com recurso a apoio de fundos comunitários.

Entre 2014 e 2015 estas verbas inserem-se no pacote de €300 milhões que o Governo anunciou para obras de defesa de pessoas e bens no litoral do país. Segundo Moreira da Silva, os investimentos no litoral vão continuar: "Até 2050 estão previstos investimentos de mais de mil milhões para proteção de pessoas e bens". Na base destes cálculos estão as estimativas do Grupo de Trabalho do Litoral, o plano de ação para as zonas costeiras até 2020.

Além da proteção de pessoas e bens, as intervenções previstas pretendem também salvaguardar as atividades económicas da Ria Formosa e a sua valorização ambiental. Moreira da Silva lembra que "sem ilhas Barreira, não há Ria formosa nem proteção para as baixas de cidades como Faro ou Olhão".