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Cocaína em águas residuais de Lisboa revela "consumo significativo"

Estudo da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, com base na recolha de amostras de águas residuais da capital, conclui que no intervalo de um mês, em 2011, foram consumidas 7490 doses de 100 miligramas de cocaína impura por dia.

Feita em Portugal pela primeira vez, uma análise à presença de metabolitos de cocaína e nicotina nas águas residuais de Lisboa revela "resultados significativos". Em concreto, o estudo agora apresentado concluiu que, para o período considerado - quatro semanas, entre outubro e novembro de 2011 - foram consumidas, em média, 7490 doses de 100 miligramas de cocaína impura por dia.

Da responsabilidade da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, sob coordenação do especialista em toxicologia forense Álvaro Lopes, a análise teve por base a recolha, em dois dias da semana (terças e quintas-feiras) durante um mês, de colheitas da estação de tratamento de águas residuais de Alcântara. Apurados os resultados, foram detetados 252 gramas de cocaína pura, em 24 horas.

Um valor que o coordenador do estudo acredita ficar abaixo do que seria encontrado casos os dias das colheitas coincidissem com os fins de semana. Embora Álvaro Lopes sublinhe também que a zona rastreada, além de parte de Benfica, Amadora e Oeiras, integra o Bairro Alto, Santos, Cais do Sodré e Docas, logo, áreas onde Lisboa concentra vários estabelecimentos de diversão nocturna.

Portugal a meio da tabela

Havendo estudos do género publicados em outras 19 cidades, a posição de Lisboa vem ocupar um lugar sensivelmente a meio da tabela, abaixo de Bruxelas, Paris e Antuérpia, por exemplo, mas acima da generalidade dos países nórdicos, explicou Álvaro Lopes ao Expresso.

Novidade da pesquisa portuguesa, há poucos dias publicada na revista "Science of the Total Environment", foi o cruzamento de outros dados conhecidos, por forma a "calcular os consumos atendendo à utilização que se sabe ser comum de droga impura". Com base no grau de pureza da cocaína encontrado no mercado em 2011, os investigadores chegaram a um total de 7490 doses de 100 miligramas.

No que toca à nicotina, considerando uma soma bruta de 5,9 gramas por mil habitantes e uma média de 0,8 de nicotina por cigarro, a análise calculou terem sido fumados 7,5 cigarros por pessoa na área especifíca considerada de Lisboa.

Quanto ao valor do estudo, Álvaro Lopes realça o seu contributo como "excelente indicador, que proporciona novos processos de avaliar os consumos".