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Cintos e botões. As antenas de telemóvel do futuro?

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Josep Lao / AFP / Getty Images

A ideia para instalar antenas de telemóvel em peças de vestuário tem marca portuguesa e está a ser desenvolvida por investigadores do Instituto Superior Técnico (IST). Um dos objetivos é reduzir o impacto da exposição às radiações. 

Investigadores portugueses estão a estudar formas de instalar antenas para os telemóveis em botões, cintos ou peças de vestuário, melhorando a transmissão e reduzindo o impacto da exposição às radiações, disse hoje um especialista do INOV-INESC.  

"A ideia é, incorporando eletrónica nas peças de vestuário, poder aumentar a qualidade de serviço e o ritmo de transmissão quando estamos a usar os telemóveis", alternativas que são trabalhadas pensando também na defesa da saúde dos utilizadores, explicou à agência Lusa Luís Correia, investigador coordenador do INOV-INESC.  

Quando se distribuem antenas pela roupa, "em vez de estar a usar apenas uma antena, as potências são distribuídas também, tornam-se mais baixas e o impacto que tem a exposição às radiações é também mais baixo", explicou o professor do Instituto Superior Técnico (IST).  

Este é um dos exemplos da aplicação das tecnologias da área de telecomunicações, antenas e propagação de sinais estudadas pelos investigadores do IST e referidos por Luís Correia que falava a propósito da realização do encontro anual da EurAAP (European Association on Antennas and Propagation ou associação europeia de antenas e propagação).  

Antenas e propagação 

O EuCAP 2015 inicia-se no domingo e prolonga-se pela próxima semana, em Lisboa, reunindo cerca de 1.300 especialistas de 55 países que vão apresentar mais de mil comunicações científicas sobre os seus trabalhos de investigação, numa troca de experiências e debate sobre os desenvolvimentos tecnológicos nas comunicações móveis, medicina, defesa, segurança ou espaço.  

A iniciativa, promovida pelo IST e pelo INOV-INESC, conta ainda com 42 expositores da indústria e da academia, incluindo a Agência Espacial Europeia, e com a presença de oradores convidados de países como Brasil ou Japão, além do português João Schwarz da Silva,  que foi diretor de Redes e Comunicações na Comissão Europeia entre 1991 e 2004.  

Luís Correia, que também é o presidente da conferência, referiu outros exemplos de aplicações das tecnologias, como dispositivos chamados de "pílulas inteligentes".  "As pessoas engolem um dispositivo e os médicos podem ver, por exemplo no aparelho digestivo, o que se passa, e ter métodos de diagnóstico que neste momento não são feitos", explicou.   

É uma possibilidade ainda a ser investigada, mas "já existem pequenos protótipos de alguns dos objetos de trabalho, embora ainda não completamente desenvolvidos, ainda não se trata de produtos comerciais disponíveis, neste caso para a área da medicina", advertiu.  

Na área da internet, estará em destaque a segurança dos equipamentos, de modo a permitir que uma empresa ou uma instituição garantam que um computador está sempre numa sala e evitem que alguém o possa levar.

"Estuda-se um sistema de segurança que reconhece a propagação de um sinal de segurança dentro da sala e, se retirar-se o computador, gera um alarme porque a propagação do sinal começa a ser diferente", segundo Luís Correia.  

A área espacial é igualmente importante e representa "enormes desafios", realçou o professor do IST, dando o exemplo das antenas das sondas espaciais, que têm de ser desenhadas e dimensionadas para cumprirem determinadas especificações, do peso ao consumo de energia.