Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Cinco detidos em Lisboa por suspeitas de branqueamento de capitais

  • 333

Polícia Judiciária deteve cinco pessoas no âmbito de uma investigação a empresas suspeitas de branquear capitais. Banco de Portugal suspende a atividade das organizações em causa.

Hugo Franco e Raquel Moleiro

Uma investigação da Polícia Judiciária levou à detenção de cinco pessoas ligadas a duas empresas de câmbios, a MoneyOne e Transfex, entretanto suspensas pelo Banco de Portugal (BdP) por suspeitas de branqueamento de capitais. A informação foi confirmada ao Expresso por uma fonte oficial da PJ.

Apesar de um comunicado do Banco de Portugal referir que a decisão de suspender a atividade das empresas foi tomada "no exercício dos poderes de supervisão que lhe estão legalmente conferidos, designadamente no âmbito da prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo", o regulador esclareceu posteriormente que o caso não envolve terrorismo (facto que o Expresso noticiou por estar referido no comunicado do regulador), mas antes - e somente - branqueamento de capitais.   

Os detidos são gerentes da MoneyOne e da Transfex, sociedades de pagamentos e câmbios, ambas com sede em Lisboa. 

O Expresso tentou contactar os responsáveis destas duas empresas nas dezenas de números de telefone disponibilizados nos seus sites institucionais. Mas não obteve qualquer resposta. Apenas um funcionário do call center da MoneyOne falou ao Expresso: "De momento não temos qualquer informação veiculada sobre o Banco de Portugal."

Esta quarta-feira de manhã, o Banco de Portugal determinou a suspensão das operações financeiras das duas empresas. "No exercício dos poderes de supervisão que lhe estão legalmente conferidos, designadamente no âmbito da prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo", existem fortes indícios que estas empresas estejam a ser a ser utilizadas, "por pessoas direta ou indiretamente relacionadas com as estruturas acionistas e/ou de gestão daquelas entidades, para a circulação de fundos provenientes de origem ilícita, com o objetivo de, assim, se assegurar a integração dos mesmos no sistema financeiro e o seu subsequente branqueamento", refere o Banco de Portugal no seu comunicado. 

O Expresso pediu um esclarecimento à Procuradoria-Geral da República, mas não obteve qualquer resposta até ao momento.  

Em baixo, reproduzimos na íntegra o comunicado do Banco de Portugal:

"1. No exercício dos poderes de supervisão que lhe estão legalmente conferidos, designadamente no âmbito da prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo, o Banco de Portugal recolheu um conjunto de elementos de informação que indiciam fortemente estarem as sociedades:

  • (i) MONEY ONE - SOCIEDADE DE PAGAMENTO E CÂMBIOS, LDA. (com sede na Avenida Duque de Loulé, n.º 123 - Galeria 5, em Lisboa); e
  • (ii) TRANSFEX - INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS, LDA. (com sede na Rua da Assunção, n.º 7 - 2.º, em Lisboa).

a ser utilizadas, por pessoas direta ou indiretamente relacionadas com as estruturas acionistas e/ou de gestão daquelas entidades, para a circulação de fundos provenientes de origem ilícita, com o objetivo de, assim, se assegurar a integração dos mesmos no sistema financeiro e o seu subsequente branqueamento.

2. Tendo presente tal situação e considerando a necessidade de serem salvaguardados os interesses dos utilizadores dos serviços de pagamento ou de outros serviços financeiros disponibilizados por aquelas duas instituições de pagamento, o Banco de Portugal emitiu, em 21 de abril de 2015, um conjunto de determinações específicas dirigidas à MONEY ONE - SOCIEDADE DE PAGAMENTO E CÂMBIOS, LDA. e à TRANSFEX - INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTOS, LDA., impondo às mesmas a suspensão integral de quaisquer operações (envios de fundos do e para o exterior, operações de câmbio manual ou quaisquer outras):

  • (i) Em território nacional, atuando em nome próprio ou na qualidade de agentes ou distribuidores de instituições de pagamento ou instituições de moeda eletrónica com sede fora de Portugal;
  • (ii) No exterior, atuando através de sucursais, agentes ou em regime de livre prestação de serviços.

3.  A suspensão das operações referidas no ponto precedente tem início na presente data e manter-se-á até que o Banco de Portugal informe as instituições de pagamento visadas de que considera estarem reunidas as condições necessárias para o reinício de atividade ou até que tal suspensão seja substituída por outra medida.



4. A recusa de acatamento das determinações específicas ora emitidas ou a criação, por qualquer forma, de obstáculos à sua execução fazem incorrer os autores de tais condutas na pena prevista para o crime de desobediência qualificada, conforme previsto no n.º 1 do artigo 200.º-A do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras (aprovado pelo Decreto-Lei n.º 298/92, de 31 de dezembro). 



Lisboa, 22 de abril de 2015" 

 

[artigo atualizado e corrigido às 13h29, com o esclarecimento do Banco de Portugal sobre o seu próprio comunicado]