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Cerâmica Valadares resgatada por ex-funcionários

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A laborar há um mês, a fábrica histórica de Vila Nova de Gaia foi reinaugurada esta segunda-feira. 43 ex-operários regressaram ao trabalho, mas a ARCH prevê a contratação de outros 80 ex-funcionários inativos há três anos.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Uma história com "final feliz" é como o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, resume a luta de antigos trabalhadores da empresa e da Câmara de Gaia para recuperar uma marca histórica do concelho, que "vale pelo número de trabalhadores que vai readmitir e pelo impacto nas suas vidas".

Três meses depois de quatro ex-quadros da fábrica, encerrada e declarada insolvente em setembro de 2012, terem chegado a acordo com os credores para reativar a empresa, a Cerâmica de Valadares reabriu oficialmente as portas esta segunda-feira, numa cerimónia que contou com a presença do líder da autarquia e do secretário de Estado da Solidariedade e Segurança Social, Agostinho Branquinho.

De acordo com Henrique Barros, diretor-geral da ARCH, a nova sociedade gestora renasce "sem passivo em relação ao passado e com a contabilidade limpa". O compromisso da empresa é contratar até novembro outros 80 trabalhadores entre cerca de 300 que ficaram sem emprego devido à falência da Valadares.

"Pela experiência e know how, os nossos ex-colaboradores são a nossa prioridade", refere o gestor, que estima que perto de uma centena de ex-funcionários não irão voltar à empresa, "uns por opção, outros porque emigraram e outros em situação de pré-reforma".

Ainda a escoar stock, a meta de produção é de 250 mil peças de cerâmica sanitária por ano (quatro vezes mais do que produzem de momento) e uma faturação de 7 milhões a 10 milhões de euros anuais em 2018. Para já, 25% das vendas são para exportação, tendo a ARCH já asseguradas encomendas para Espanha, Médio Oriente e Norte de África.

Para viabilizar a segunda vida da Cerâmica Valadares, anunciada em dezembro por Eduardo Vítor Rodrigues como o melhor presente do seu primeiro ano de mandato, a autarquia isentou a ARCH e a empresa italiana La Perla, a funcionar em parte das instalações da emblemática fábrica, do pagamento de taxas de licenciamento e de derrama durante três anos, bem como de taxas de resíduos sólidos nos próximos seis meses.

A posse das instalações e equipamentos da Cerâmica da continuam na posse dos credores, entre os quais o Millennium BCP, credor de mais de 70 milhões de euros dos mais de 90 milhões em dívida. "Má gestão" é o diagnóstico feito pelo presidente da Câmara de Gaia para a falência da Cerâmica Valadares, empresa que considera ser "viável".