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Centros de saúde vão ficar abertos até mais tarde para responder à onda de frio

Para já, a medida abrange apenas a região de Lisboa. Em alguns casos, o horário aumenta quatro horas.

As unidades de cuidados primários - centros de saúde e unidades de saúde familiar (USF) - da região de Lisboa vão manter as portas abertas até mais tarde para responderem ao esperado aumento da afluência de doentes na atual onda de frio. Em vez das atuais 18h00 ou 20h00, os serviços de saúde deverão funcionar até às 22h00 no caso das USF.

A deliberação, a divulgar publicamente na tarde desta terça-feira, é feita pelo secretário de Estado adjunto do ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, para vigorar nos dias 30 e 31 deste mês e no dia 2 de janeiro de 2015. Ou seja, o feriado do primeiro dia do novo ano será mantido também para os profissionais dos cuidados primários.

A medida "poderá ser estendida a outros pontos do país em função da procura que se vier a verificar". O secretário de Estado salienta, ainda assim, que "em caso de gripe ou de outra doença aguda, aconselha-se os utentes a recorrerem também à linha Saúde 24 antes de se dirigirem à urgência hospitalar". 

O alargamento das consultas não programadas nos centros de saúde e nas USF já estava previsto para um eventual aumento de doentes durante a epidemia de gripe, que ainda não teve início, e acabou agora por ser antecipado para dar respostas ao utentes que venham a adoecer devido ao frio intenso que se faz sentir um pouco por todo o país. Caberá agora à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo "desenvolver todos os esforços" para operacionalizar as orientações ministeriais. 

A diretora executiva do Agrupamento de Centros de Saúde Lisboa Norte, Manuela Peleteiro, admite que o alargamento do horário não será fácil "por não ter havido tempo de programação", mas que será exequível. 

A área de influência do Hospital Amadora-Sintra será uma das prioritárias. O fecho das unidades de cuidados primários nas zonas de Sintra e da Amadora na véspera e no dia de Natal com a tolerância de ponto dada pelo Governo tem sido apontado como um dos motivos que levou um número inesperado de doentes à Urgência daquele hospital, bloqueando o atendimento. 

Os casos menos graves chegaram a registar mais de 20 horas de espera pelo atendimento e todas as camas do hospital ficaram ocupadas. Os responsáveis da ARS e o próprio ministro da Saúde tiveram de autorizar outras medidas de exceção - como é o caso do alargamento do horário dos centros de saúde - para tentar que a situação não se repita no final do ano.

Foi dada 'luz verde' para contratar mais médicos, para o quadro e em prestação de serviços; abertas mais 30 camas para internamento e os restantes hospitais da capital impedidos de transferir doentes para ali, mesmo que sejam residentes na zona de Sintra ou da Amadora. Os gestores daquele hospital acreditam que as soluções encontradas deverão ser suficientes para evitar males maiores durante os últimos dias de 2014.