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CDU. "A vida no Aleixo continua um inferno"

"Fracasso total" da "operação Bairro do Aleixo" leva CDU do Porto a pedir a Rui Moreira anulação de fundo imobiliário insolvente e a vialilizar nova construção no bairro social.

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

O vereador da Câmara do Porto Pedro Carvalho e os eleitos municipais Artur Ribeiro e Honório Novo advertiram esta segunda-feira que, seis anos depois de Rui Rio ter optado por demolir as torres do bairro social, "a vida no Aleixo continua um inferno".

Em conferência de imprensa, a CDU do Porto afirmou que as conclusões da auditoria interna solicitada por Rui Moreira ao Fundo de Investimento Imobiliário Fechado (INVESURB) vêm provar o "fracasso total e completo" da solução patrocinada pelo ex-presidente da autarquia e pela gestão PSD/CDS, que pretendia reurbanizar os terrenos do Bairro do Aleixo e realojar os seus moradores.

"O Fundo de Investimento está em falência, com parceiros sem credibilidade ou em insolvência, totalmente incapaz de obter financiamento ou a liquidez suficiente para prosseguir a sua atividade", defende a CDU do Porto.

Pedro Carvalho mantém que a demolição das cinco torres do Aleixo para construção de apartamentos de luxo e realojamento dos moradores em casas a construir ou a reabilitar pelo fundo imobiliário partiu de "uma inaceitável conceção ideológica de 'apartheid social'".

A CDU do Porto sustenta ainda que "Rui Rio e a sua maioria política" não quiseram atender à grave insuficiência e omissões do estudo de viabilidade económica da operação Aleixo, tendo feito "orelhas moucas relativamente qualidade e capacidade financeira dos investidores", nem atenderam "às dúvidas quanto à possibilidade do Fundo poder vir a construir ou reabilitar os anunciados 300 fogos de habitação social".

A CDU avança ainda que o relatório aponta para um "conjunto de irregularidades em termos processuais, de incumprimento de obrigações externas" do Fundo, sustentando que, em síntese, o relatório de auditoria "não deixa pedra sobre pedra da imagem de rigor e de eficiência que Rui Rio tanta preza e que tanto procura cultivar".

Face aos prejuízos sistemáticos do Fundo - €15.255 em 2010, €52.306 em 2011, €53.446 euros em 2012 e €71.232 euros em 2013 - e à incapacidade de obter financiamento bancário, a CDU do Porto advoga que Rui Moreira deve suspender com carater de urgência a operação imobiliária Bairro do Aleixo, liquide o Fundo, remeta o relatório integral da auditoria para o Tribunal de Contas, bem como para o Ministério Público e para a CMVM.

"A não ser que o executivo de Rui Moreira continue disposto a enterrar milhões de euros neste poço sem fundo", a CDU reivindica que a Câmara do Porto inicie diligências tendo em vista a construção de nova habitação social nos terrenos municipais do Aleixo.

As conclusões da polémica auditoria interna vão ser submetidas esta segunda-feira a votação da assembleia municipal. O presidente da Câmara do Porto vai aguardar pela decisão antes de tomar posição em relação ao futuro do degradado e problemático bairro social da cidade.