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Cavernas de gás natural em Portugal sem risco sísmico

Armazenamento subterrâneo de gás natural em Carriço, concelho de Pombal

REN

Geólogo garante ao Expresso que o armazenamento de gás natural nas quatro cavernas em Pombal não poderá provocar sismos, tal como está a acontecer na costa de Valência.

Carlos Abreu

Jornalista

Em Portugal existem quatro cavernas onde é armazenado gás natural mas, ao contrário do projeto espanhol em Valência, que terá provocado mais de 20 sismos nas últimas 24 horas, por cá não há esse risco, garantiu ao Expresso o presidente da Associação Portuguesa de Geólogos.

Segundo António Gomes Coelho, essas cavidades, localizadas no subsolo do sítio de Carriço, concelho de Pombal, foram abertas nos anos 90 do século passado a cerca de 1200 metros de profundidade.

O sal aí existente foi dissolvido através da injeção e circulação de água a partir de furos, atividade que, lembra este geólogo, já era corrente no local no âmbito da produção de salmouras para as salinas da baixa do Mondego.

"O salgema é uma rocha totalmente impermeável e de comportamento dúctil a longo prazo, não suscetível de acumular energia elástica que possa ser libertada gerando um sismo, sendo a pressão do gás natural equilibrada pela coluna de água à profundidade do armazenamento (1200 metros)", acrescenta António Gomes Coelho.

"É portanto uma situação muito diferente da que se verifica em Valência", remata.

O Expresso sabe que as quatro cavernas, três administradas pela REN e uma pela Transgás, têm uma capacidade de armazenamento de 177 milhões de metros cúbicos de gás (o equivalente a 2,2 terawatt hora de energia).

Na costa de Valência, mais de 20 sismos, incluindo um de magnitude 4,1 na escala de Richter, registaram-se desde a noite de terça-feira, na proximidade de um armazém subterrâneo de gás natural, que aproveita um antigo poço de petróleo.