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Católica quer 'facebook' da ciência

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Roberto Carneiro quer criar “grande casa comum 
da ciência” lusófona na web

FOTO ANA BAIÃO

Roberto Carneiro defende a criação de uma plataforma web para unir investigadores lusófonos.

Há 200 milhões de anos, todos os continentes eram uma única massa de terra que recebeu o nome Pangea (em grego, pan é inteiro e gea é terra). '7 Mares & Pangea - Um desafio português' é também o nome provisório escolhido pelo Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão da Universidade Católica para o ambicioso projeto que quer aproximar as comunidades de investigadores lusófonos que trabalhem em instituições nacionais ou além-fronteiras. 

No dia 6 de maio, a Católica abre as portas para um encontro de académicos, presentes fisicamente ou via internet, para debater as prioridades da proposta, liderada pelo ex-ministro da Educação, Roberto Carneiro.

A ideia é criar uma plataforma web para suportar uma rede social - à semelhança do Google Académico ou o academia.edu. Internamente, o projeto foi classificado como uma "grande casa comum da ciência", para dinamizar a comunicação e a cooperação entre os académicos e bolseiros que se exprimem em português. As estimativas do Banco Mundial apontam para a existência de 45 mil investigadores de língua portuguesa dispersos pelo mundo.  

O texto preliminar de apresentação, a que o Expresso teve acesso, começa por constatar que os investigadores portugueses se encontram dispersos por diferentes países, o que pode determinar a perda de contacto com os colegas e o país de origem. Assim, e como "apesar da existência de várias redes sociais a uma escala global, não existe uma plataforma que promova os desenvolvimentos de trabalho e ligações entre investigadores portugueses", o Pangea propõe-se ocupar esta lacuna, proporcionando o contacto entre investigadores portugueses em qualquer país, incentivando a divulgação dos trabalhos e potenciando novas iniciativas. 

"Queremos criar uma comunidade científica de falantes de língua portuguesa, orientada sobretudo para jovens, que, desta forma, poderão ter um instrumento de integração em equipas de investigação com interesses comuns", explica Fernando Chau, da direção do centro de estudos.

A questão mais difícil é a obtenção de financiamento, mas, para a ultrapassar, está a ser elaborada uma proposta que será apresentada à Fundação de Ciência e Tecnologia e à Comunidade Europeia. O ex-ministro Roberto Carneiro já estará a encetar também contactos com universidades e investigadores de referência que se possam associar à iniciativa. Caso avance, poderá incluir ainda a criação de um jornal digital, onde os trabalhos científicos poderão ser divulgados.   

Apesar de a iniciativa ter partido da Universidade Católica, o objetivo é passar pela formação de um núcleo duro de instituições, com a missão de "rapidamente" atraírem um grande grupo de voluntários com a responsabilidade de dinamizar a plataforma web, tornando-a viral e aproveitando o efeito "bola de neve" da internet e das aplicações de rápida adesão. Desta forma, seria possível, lê-se no documento, atrair "investigadores portugueses e lusófonos residentes nas sete partidas do mundo, aglutinando-os na formação de uma Pangea única, feita de inteligência falante e pensante em português".          

Agregar e difundir 

Assegurar a ligação afetiva da diáspora científica e académica a Portugal, melhorar as condições de trabalho científico propícias ao regresso de emigração altamente qualificada de cariz académico, permitir e facilitar a colaboração entre investigadores portugueses nos temas e projetos de interesse comuns são objetivos do Pangea.

Para alcançar estes propósitos, a rede social deverá ter para cada um dos participantes os perfis dos utilizadores, com dados pessoais, afiliações, áreas de interesse, de trabalho e experiências, listas de trabalhos e um histórico de operações na rede (novas publicações, participações em discussões). 

Haverá ainda uma zona privada, acessível mediante senha e registo prévio, na qual o investigador irá intervir para gerir o conteúdo e configurar as ligações, aceitando, recusando ou enviando convites, participando em discussões ou pedindo informações. Prevê-se também um espaço institucional e outro capaz de recuperar citações de diferentes plataformas.

Será dada especial atenção à disponibilização de informação sobre vagas e concursos para posições de investigação em instituições universitárias ou empresas. Também deverá integrar o número de investigadores em território nacional e fora do país, dados sobre emigrações e sobre o regresso de académicos.

O documento acaba por assumir que "a utilização da plataforma está intrinsecamente dependente dos conteúdos disponibilizados". Apesar de ser o impulsionador, o Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão da Universidade Católica diz que pretende "ser apenas um dos primeiros dinamizadores" e reconhece que será decisivo o recrutamento de voluntários de diversas áreas da investigação para animar as comunidades e reunir os conteúdos de cada especialidade.

"O sucesso do portal está fortemente dependente da sua utilização e adoção por parte dos investigadores. É, portanto, imprescindível a existência de uma estratégia enérgica de promoção inicial que estimule a sua utilização por parte dos investigadores", assume-se na apresentação. Por isso, na primeira fase, a plataforma deverá ser divulgada por "cientistas e académicos renomados", a quem caberá "emprestar o seu prestígio pessoal a esta iniciativa emblemática".