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Caso Sócrates. Administrador do grupo Lena ficará em prisão domiciliária

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Os irmãos António (à esquerda) e Joaquim Barroca Rodrigues (à direita), respetivamente presidente e vice-presidente do conselho de administração do Grupo Lena

FOTO ANA BAIÃO

Investigadores suspeitam que Joaquim Barroca Rodrigues (à direita na foto) tenha transferido 1,5 milhões de euros para uma conta na Suíça de Carlos Santos Silva, também arguido na Operação Marquês. É suspeito de corrupção ativa, branqueamento de capitais e fraude fiscal agravada. O corrompido seria José Sócrates.

Hugo Franco e Rui Gustavo

Joaquim Barroca Rodrigues, vice-presidente do grupo Lena, ficará em prisão domiciliária com pulseira eletrónica no ambito da Operação Marquês, que investiga José Sócrates. É a segunda medida de coação mais gravosa. 

O empresário é acusado dos crimes de corrupção ativa, branqueamento de capitais e fraude fiscal agravada. 

Tinha sido detido quarta-feira à noite e foi interrogado ontem e hoje no Tribunal Central de Instrução Criminal, em Lisboa, pelo juiz Carlos Alexandre. Irá ficar em prisão domiciliária com pulseira electrónica, "caso se mostrem preenchidos os requisitos técnicos" para a instalação do equipamento de vigilância necessário na residência do arguido. Até lá, ficará em prisão preventiva.

Os magistrados do DCIAP suspeitam que Joaquim Barroca Rodrigues tenha realizado transferências de milhões de euros de contas pessoais para contas bancárias na Suíça de Carlos Santos Silva, também arguido no processo. Segundo os investigadores do DCIAP, o corrompido era José Sócrates, o principal alvo desta operação.

As buscas a residências e à sede da empresa, em Leiria, foram feitas por dois magistrados do DCIAP - um dos quais o procurador do processo, Rosário Teixeira - e o juiz Carlos Alexandre, apoiados pela Autoridade Tributária e pela PSP. Um computador do empresário, que foi apreendido na operação, poderá conter informações consideradas importantes para a investigação e que podem comprovar as movimentações de dinheiro entre o grupo Lena, Carlos Santos Silva e José Sócrates.

Ontem à noite, o grupo Lena emitiu um comunicado onde se mostra aberto a disponibilizar "todo e qualquer documento" e "clarificar muito do ruído" a propósito da Operação Marquês.

Joaquim Barroca Rodrigues é um dos administradores do grupo Lena e acionista maioritário, filho do fundador da empresa e irmão do atual presidente, António Barroca Rodrigues. Na última reorganização da Lena, a banca forçou  a criação de uma comissão executiva presidida por um gestor do grupo, Joaquim Paulo Conceição, exterior à família, ligado à área automóvel. 

Como presidente da Lena Construções - cargo que detinha nessa altura, entre 2007 e 2009 - representava a empresa nas viagens ao estrangeiro, revelando grande familiaridade com José Sócrates. Os irmãos Joaquim e António tratavam o então primeiro-ministro por José.  

Um ano antes de ter surgido o negócio do grupo Lena na Venezuela, para a construção de 50 mil casas, Joaquim Barroca Rodrigues convenceu Santos Silva a continuar a preparar propostas e a angariar obras no estrangeiro dentro de uma nova sociedade criada pelo grupo Lena, a LMI. E ofereceu-lhe um lugar como administrador e 20% do capital social da nova empresa. 

"Não temos nada a temer, encaramos a  investigação com perfeita tranquilidade", disse Joaquim Paulo Conceição ao Expresso a 22 de novembro de 2014, menos de 24 horas depois de José Sócrates ter sido detido no aeroporto da Portela. Quadro dias depois, já após as primeiras buscas à sede da Lena, o presidente da comissão executiva afirmou que a empresa está a funcionar como "bode expiatório ", sofrendo com "exagerado aproveitamento" da ligação a Carlos Santos Silva.  "As suspeitas sobre o grupo magoam e são completamente infundadas", disse o presidente da comissão executiva.

O ex-primeiro-ministro José Sócrates está detido desde novembro do ano passado no Estabelecimento Prisional de Évora, indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. O processo tem também como arguidos João Perna, ex-motorista de José Sócrates, o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda Castro.