Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Sociedade

Campanha da Samsung gera indignação nas redes sociais

  • 333

Num espaço de poucas horas, um vídeo da Samsung com a blogger Pépa Xavier a dissertar sobre os seus desejos para 2013 tornou-se a anedota do dia e obrigou a marca a apresentar um pedido público de desculpas.

A campanha da Samsung "desejos para 2013" protagonizada pela blogger Pépa Xavier tornou-se num curto espaço de horas na anedota viral do dia, partilhada por largos milhares de pessoas nas redes sociais. E promete continuar a dar que falar pelas piores razões.

No vídeo vemos a blogger Pépa Xavier (Fashion-a-Porter), uma jovem morena, de cabelo esticado, roupa sofisticada, sentada numa sala com lareira em fundo, a mexer no seu tablet da Samsung enquanto revela num tom afetado e caricato os seus desejos para 2013: quer sorte, tempo para si e comprar com o seu dinheiro uma mala Chanel. "Adorava ter aquelas malas clássicas pretas, que ficam bem com tudo. Era uma conquista pessoal".

De imediato as críticas e piadas multiplicaram-se nas redes sociais. De tal forma que a Samsung suspendeu os vídeos protagonizados por Pépa e pelos outros quatro bloggers de moda que participaram nesta campanha e que também estão a ser severamente criticados nas redes.

Além de Pépa Xavier - com quem o Expresso tentou falar, sem obter resposta -  , estão em causa os vídeos com Maria Guedes (do blogue Stylista), Tiago da Costa Miranda (...And This is Reality), Susana Rodrigues (The Stiletto Effect) e Rodolfo Morgado (Lab Daily). Os vídeos, que começaram a ficar online a 7 de janeiro, já não estão disponíveis no canal da marca mas continuam visíveis no YouTube.

Pedido de desculpas

O Expresso contactou a Samsung, que não respondeu. Porém, na página do Facebook da empresa, depressa surgiu ao fim da tarde desta quinta-feira uma explicação e um pedido de desculpas: "A campanha 'Desejos' para 2013' pretendia partilhar um conjunto de aspirações pessoais e profissionais para o novo ano. Acompanhamos sempre de perto as opiniões de todos os que nos seguem, tendo sido partilhado desagrado em relação aos conteúdos da campanha, razão pela qual esta foi retirada do ar". E termina: "Pedimos desculpa pelo sucedido. Não era nossa intenção ferir suscetibilidades e tudo faremos para corresponder às expectativas de quem nos acompanha. Obrigado."

Na opinião do publicitário Pedro Bidarra, o que se esconde por trás de uma campanha "risível" como esta é a falta de dinheiro que as agências têm para as campanhas e para contratar bons profissionais. "As campanhas risíveis são a manifestação da falta de qualidade. Reflexo destes tempos em que não se paga por bons conteúdos. Porque a criação de conteúdos comerciais de qualidade implicam muita gente de qualidade a trabalhar. As agências pagam menos e têm gente muito fracota. É sintoma dos tempos".

Tempos em que as redes sociais podem trucidar, em poucas horas, uma campanha. "As marcas estão nas redes sociais porque estão lá as pessoas. E só são assunto com os conteúdos a viajarem rapidamente na net, se fizerem campanhas excecionalmente boas ou excecionalmente parvas e mal feitas. Acontece que há cada vez mais destas más excepções. Porque é preciso bons marketers para fazer diferente e bem".

Discurso vazio

De acordo com as críticas que se podem ler nas redes sociais, o tom, a linguagem, o discurso vazio e desejos que estes especialistas de moda apresentavam estariam amplamente desadequados da realidade e dos problemas que os consumidores estão a passar em plena crise económica do país.

O especialista em gestão de marcas Carlos Coelho também considera que esta não é uma campanha feliz e não tem um objetivo claro. "As marcas querem estar nas redes sociais e tentam encontrar novos formatos que se adequem. Usam uma comunicação mais insinuada, sedutora, menos óbvia. Uma linguagem que não se espera de uma marca. É um risco que se pisa, porque os consumidores não gostam que as marcas façam figura de parvas. Não esperamos comportamentos delas, como das pessoas".

Atento às novas formas de comunicação ao nível da publicidade, Carlos Coelho deixa o aviso: "Sempre que uma marca quer pender para Deus faz asneira. Todas querem ser globais, estar em todo o lado. Serem amigas, conselheiras, demasiado próximas. Algumas delas chegam a dar-nos os parabéns. Ora, eu não quero que uma marca me dê os parabéns. Ou seja, os consumidores não gostam que as marcas pisem uma determinada fronteira das suas vidas".

O especialista remata, fazendo notar que grandes marcas como a Samsung quando erram pedem desculpa. "Tal como as grandes pessoas".