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Sociedade

Cães percebem emoções humanas

A proprietária de três cães envolvidos no estudo tenta distraí-los, junto a uma máquina de ressonância magnética

Bernadett Szabo/Reuters

Um estudo revela que o cérebro canino reage às emoções humanas, o que pode explicar melhor a ligação afetiva entre o homem e o "melhor amigo".

Patrícia Cadete

O cérebro canino reage a vozes da mesma forma que um cérebro humano. Esta é a conclusão a que chegaram investigadores húngaros, depois de treinarem 11 cães para ficarem imóveis dentro de uma máquina de ressonância magnética. 

É frequente ouvir donos de cães garantirem que os seus animais os percebem. Agora, com este estudo, publicado na revista "Current Biology", podem provar que tinham razão, já que foram descobertos indícios de que os cães são mais sensíveis ao estado emocional do seu dono. 

"Nós achamos que os cães e os humanos têm um mecanismo semelhante para processar informação emocional", diz Attila Andics, líder do projeto, desenvolvido na Universidade Eötvös Loránd, em Budapeste. "Nós provavelmente partilhamos esta função com muitos outros mamíferos", acrescenta.

Para a investigação, Andics e os seus colegas treinaram 11 cães (seis golden retrievers e cinco border collies) para se deitarem e ficarem quietos dentro de uma máquina de ressonância magnética, de modo a conseguirem recolher dados sobre as suas atividades cerebrais. Para isso, precisaram de algum tempo e de muitos elogios.

"Houve 12 sessões de treino preparatório, sete sessões na sala de scanner, e depois estes cães foram capazes de ficar imóveis durante oito minutos. Usámos estratégias de reforço positivo. Muitos elogios", explica a investigadora.

Tanto os cães como um grupo de 22 homens e mulheres ouviram aproximadamente 200 gravações de vozes humanas, sons caninos e outros, como ruídos de rua, enquanto o aparelho registava a atividade cerebral.

As imagens obtidas mostraram uma região comum - o lobo temporal-, que se ativou quando, quer os animais quer as pessoas, ouviram vozes humanas. Os sons carregados de emoção, como choro ou riso, desencadearam um padrão de atividade semelhante.

"O local (da atividade) no cérebro do cão é muito semelhante ao que encontramos no cérebro humano. O facto de termos encontrado a existência destas áreas num cérebro canino é, de todo, uma surpresa. É a primeira vez que vemos isto num não-primata", explica Attila Andics.

Mas, como era esperado, nos humanos, as áreas cerebrais respondiam mais a sons humanos, enquanto nos cães as áreas cerebrais correspondentes respondiam mais aos sons caninos. Apesar de os cães responderem à voz humana, as suas reações foram notoriamente mais fortes quando se tratavam de sons caninos.

Para Sophie Scott, do Instituto da Neurociência Cognitiva da Universidade de Londres, trata-se de uma descoberta interessante mas que pode assentar numa coincidência. 

"Seria interessante ver a reação do animal a palavras em vez de apenas a sons. Quando choramos ou rimos, estas ações são uma espécie de 'reações animalescas' e isso pode gerar esta resposta", conclui Sophie.

Para a autora Attilla Andics, esse será o objetivo a atingir na próxima ronda do estudo.