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Bispos portugueses expõem, explicam e explanam o aviso de Francisco: o cristianismo é hoje a religião mais perseguida

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Manuel Clemente: "Acompanhamos os sucessivos apelos do Papa Francisco"

FOTO PAULO CUNHA / LUSA

"Que a comunidade internacional não assista muda e inerte a tais crimes inaceitáveis, que constituem uma deriva preocupante dos direitos humanos mais elementares." E dão como o exemplo o massacre na universidade queniana de Garissa, onde morreram mais de 140 pessoas.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), o cardeal patriarca Manuel Clemente, disse esta segunda-feira em Fátima que o cristianismo é a religião mais perseguida em termos globais, alertando para a necessidade de a comunidade internacional despertar para esta "gravíssima situação".

 

"Acompanhamos os sucessivos apelos do Papa Francisco para que a comunidade internacional desperte para a gravíssima situação dos cristãos perseguidos em vários países do mundo - o cristianismo é hoje a religião mais perseguida em termos globais -, como continua a acontecer no Próximo Oriente e ainda recentemente aconteceu no Quénia, citando apenas duas de várias situações flagrantes ou latentes", afirmou Manuel Clemente.

 

O cardeal patriarca discursava na sessão de abertura de mais uma assembleia plenária da CEP, a reunião magna dos bispos católicos portugueses, ocasião em que referiu que "as dioceses portuguesas têm compartilhado esta preocupação, com oração e ajudas materiais".

 

"Assim continuará a suceder, mas é necessário que a sociedade no seu todo mantenha este ponto na sua agenda política e humanitária, pois é duma questão básica e transversal de direitos humanos que realmente se trata", salientou Manuel Clemente.

 

No domingo de Páscoa, o Papa Francisco defendeu que a comunidade internacional deve denunciar e atuar perante os crimes de que são vítimas os cristãos em todo o mundo.

 

"Desejo que a comunidade internacional não assista muda e inerte a tais crimes inaceitáveis, que constituem uma deriva preocupante dos direitos humanos mais elementares", declarou o Papa perante milhares de pessoas reunidas na praça de São Pedro, em Roma.

 

Francisco pediu orações, mas também uma "participação concreta" e gestos de ajuda "palpável na defesa e proteção dos irmãos e irmãs perseguidos, exilados, assassinados, decapitados unicamente por serem cristãos".

 

No domingo de Ramos, o Papa já tinha apelado para o fim das perseguições e da violência em nome da religião, na sequência do massacre na universidade de Garissa, no Quénia, que provocou 148 mortos.

 

Na 186.ª assembleia plenária, os bispos retomam o tema da família e analisam o contributo da CEP para o sínodo ordinário, que se realiza em outubro, em Roma, e deverão aprovar uma nota pastoral sobre a visita da Imagem Peregrina de Fátima às dioceses, em 2015-2016, no âmbito do centenário dos acontecimentos na Cova da Iria.

 

A análise de uma proposta de modelo de estatutos para os centros sociais paroquiais e outros institutos da Igreja Católica, cuja situação será igualmente objeto de reflexão, e uma proposta de compromisso para as misericórdias, são outros dos assuntos que ocuparão os bispos até quinta-feira.