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Bichos-da-farinha, bichos-da-seda, moscas, porque não comê-los?

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A proposta é da Plataforma Internacional de Insetos para Alimentação Humana e Animal (IPIFF) e está a ser considerada pela Autoridade Alimentar Europeia para a Segurança (EFSA). Faz todo o sentido: são uma fonte de proteínas.

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Os mais variados insetos já fazem parte da alimentação de pelo menos 2,5 mil milhões de pessoas no mundo, da Tailândia ao México, da Índia aos Camarões. Porque não também os ocidentais e os europeus em particular?  

O raciocínio é linear: de acordo com as previsões, a população mundial deve atingir os nove mil milhões em 2050 e, segundo a Organização da ONU para a Alimentação, a produção de alimentos terá de crescer 70% para os alimentar. Isto significa que a procura pela proteína animal vai duplicar, num mundo onde a alimentação animal já é muito competitiva em termos de água, terras e adubos.  

Ora, os insetos são uma boa fonte alternativa ou acrescentada de proteínas, sendo, além do mais, a espécie mais difundida no planeta. Se já tantos os comem, porque não também os ocidentais, até agora os mais relutantes em experimentar os prazeres de uma mesa de gafanhotos? 

Segundo o presidente da IPIFF, Antoine Hubert, o problema principal são as alergias, já que há muita gente alérgica às proteínas. "A questão poderá ser resolvida com a etiquetagem", afirmou, citado pelo site EurActiv. 

Por enquanto é só uma proposta, mas Hubert disse que a indústria não está já a pensar em vender insetos em sacos nas prateleiras dos supermercados europeus, mas quer explorar a possibilidade de a gordura e da proteína de insetos poderem ser usados como matéria-prima e misturados, por exemplo, com soja e farinha de peixe. 

A Autoridade Alimentar Europeia para a Segurança está também a estudar o assunto, prevendo-se que emita uma opinião já em setembro deste ano. Mas a utilização de insetos ou dos seus derivados terá de passar pelo crivo das regras da União Europeia (UE) sobre os Novos Alimentos. 

Os novos alimentos são definidos como aqueles que utilizam nanomateriais, a clonagem de animais para a produção de alimentos, bem como alimentos tradicionais provenientes de países terceiros. O respetivo regulamento da UE remonta a 1997 e deverá ser reavaliado em breve, depois de não ter sido possível chegar a acordo, há quatro anos, sobre a utilização da prole de animais clonados para produção de alimentos.