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Benfica deixa Sporting a falar sozinho

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Os encarnados deixam sem resposta as críticas (e as contas) do Sporting, que denuncia "vantagens financeiras" dadas pela Câmara de Lisboa ao clube da Luz.  "Não vamos fazer comentários, nem invocar terceiros. Não temos uma atitude beligerante", diz João Gabriel, diretor de comunicação do Benfica.

"O Benfica apresentará os seus argumentos em sede própria e não vai invocar terceiros. Não faremos comentários", afirma ao Expresso João Gabriel, diretor de comunicação do Benfica.

O porta-voz dos encarnados reage assim ao pedido de comentário à carta endereçada pelo presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, à Câmara de Lisboa. Na missiva (enviada a 26 de fevereiro e que o Expresso hoje revelou), o clube de Alvalade diz-se "discriminado" pela Câmara de Lisboa, em comparação com o tratamento dado pela autarquia ao Benfica.

O Sporting considera-se credor de €40,6 milhões de "apoios em falta", reclamando agora esse valor ao município de Lisboa, através de "direitos de edificabilidade". São aquelas as contas dos leões, que  dizem ter levado em atenção todos os apoios (isenções de taxas, infraestruturas no espaço público ou cedências de terrenos, entre outros) concedidos pelo munícipio de Lisboa desde 1990 aos dois principais clubes da capital.

"Não vamos falar de terceiros. Não o devemos fazer. Não temos uma atitude beligerante", repetiu João Gabriel ante a insistência de um pedido de comentário.

O diretor de comunicação do Benfica confirmou, entretanto, que o clube já recebeu um pedido da Assembleia Municipal de Lisboa para prestação de mais informações e de esclarecimentos sobre o pedido do Benfica para a isenção de taxas urbanísticas.

 

Um campeonato longe do fim

A deliberação já foi aprovada pela Câmara Municipal, mas o processo transitou para a Assembleia Municipal, órgão com as competências em assuntos desta natureza. Na melhor das hipóteses a decisão da Assembleia será tomada a 17 de março.

O Benfica irá fornecer os elementos pedidos pelos deputados municipais de Lisboa. "Assumimos uma atitude de colaboração", diz João Gabriel.

O Benfica reclama isenção total das taxas urbanísticas para uma parte dos equipamentos junto ao Estádio da Luz (entre eles, uma superfície comercial), erguidos quando foi construído o atual complexo, para o Euro 2004. Os direitos invocados pelo clube constam de um protocolo entre a autarquia e o Benfica assinado em 1995.

Se num primeiro momento a Câmara concordou com a pretensão do Benfica, mas sem nunca o assumir explicitamente, mais tarde, já sob a forte polémica, o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado, quantifica o valor das taxas em €1,8 milhões.

No entanto, a presidente da Assembleia Municipal, Helena Roseta - baseando-se em informações dos serviços da câmara, dependentes de Manuel Salgado, que calcularam os montantes a pagar pelo Benfica - diz que as mesmas ascendem a €4,8 milhões.

Numa carta a Roseta, tornada pública nesta semana, Salgado contestou os números apresentados pela presidente da Assembleia Municipal, dizendo tratar-se de uma "afirmação falsa".

É neste clima de confrontação, política e institucional, que os dois órgãos do município de Lisboa (o executivo, a Câmara; e o deliberativo, a Assembleia) estão a apreciar o pedido do Benfica. E no jogo entrou agora o Sporting.