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As quatro vezes em que Sócrates já falou a partir da prisão

António Bernardo

As anteriores cartas foram ditadas pelo ex-primeiro-ministro ao seu advogado. Ao Expresso, Sócrates falou pelo telefone.  

"Falsas, absurdas e infundamentadas" foram os termos usados por José Sócrates para qualificar as suspeitas criminais pelas quais está preso preventivamente, na carta enviada ao "Público" e à TSF, a primeira de quatro comunicações que efetuou aos media ao longo dos dez dias em que se encontra detido no estabelecimento prisional de Évora.

Nessa primeira carta que ditou ao seu advogado, o ex-primeiro-ministro considerou ainda que a sua detenção e medida de coação constituíram uma "humilhação gratuita".

Sócrates falaria depois diretamente ao Expresso pelo telefone, numa curta declaração, em que defendeu que "só deixa de ser livre quem perde a dignidade". Escusando-se a responder a perguntas, que disse ir responder mais tarde, acrescentou: "Sinto-me mais livre do que nunca".

A mensagem seguinte surgiria numa carta de duas páginas em reação a uma reportagem da RTP, novamente ditada ao seu advogado, que instruiu para só a entregar ao canal público após ter terminado o congresso do PS.

Nessa mensagem, Sócrates referiu que o apartamento onde viveu em Paris, após ter deixado de ser primeiro-ministro, nunca lhe pertenceu, acrescentando que este lhe foi emprestado pelo seu amigo Carlos Santos Silva, que também se encontra preso preventivamente, sob as acusações de corrupção, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Ainda em reação à peça da RTP, o ex-primeiro-ministro negou que a mãe tenha vendido dois apartamentos no Cacém por um valor superior ao preço do mercado.

Na quarta carta, um documento manuscrito que o "Diário de Notícias" publica esta quinta-feira, Sócrates sustenta: "O sistema vive da cobardia dos políticos, da cumplicidade de alguns jornalistas, do cinismo dos professores de Direito e do desprezo que as pessoas decentes têm por tudo isto".