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Amigo de Salgado engana Comissão Parlamentar do BES

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O barbeiro Aurélio Robalo, que cortou o cabelo a José Guilherme no dia 7 de março

Nuno Botelho

O empresário que ofereceu €14 milhões a Salgado disse que não podia ir à Comissão por razões de saúde e por viver em Angola. José Guilherme esteve em Portugal há duas semanas e não informou a CPI.  Empresário pode ser acusado de desobediência.

Hugo Franco, Filipe Santos Costa e Pedro Santos Guerreiro

Há um mês, José da Conceição Guilherme, o construtor civil que deu 14 milhões de euros a Ricardo Salgado como presente pelos negócios em Angola, justificou a sua ausência na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à gestão do BES e do GES por motivos de doença, por ter residência oficial em Angola e por estar nessa altura a tratar de negócios naquele país. Mas entre 4 e 7 de março, o empresário da construção civil da Amadora esteve em Portugal. Nesses dias, a CPI estava a trabalhar e ouviu, por exemplo, Henrique Granadeiro.

Na manhã de sábado, dia 7, José Guilherme foi ao barbeiro onde há mais de 40 anos costuma cortar o cabelo. Aurélio Robalo, o dono da antiga barbearia da Amadora, confirma-o. "Ele esteve aqui às dez da manhã e fez, como sempre, a marcação com antecedência", conta o dono do estabelecimento, que é "amigo de longa data" do homem que construiu grande parte dos bairros da Amadora nos anos 80. O nome de José Guilherme consta no livro de marcações escrito à mão pelo barbeiro, que não poupa o construtor com elogios: "É uma pessoa cinco estrelas." Como quase sempre, o cliente de 76 anos deixou gorjeta pelo corte, que custa 12 euros, com lavagem.



O presidente da CPI, Fernando Negrão, mostrou-se surpreendido com a informação avançada pelo Expresso. "Foram feitos dois contactos a sugerir duas hipóteses de data para a audição de José Guilherme, o que significa que a CPI estava muito interessada em ouvi-lo." E acrescenta: "Há um dever de colaboração da parte do empresário. Se veio a Portugal, devia ter feito um contacto com a CPI, porque sabia que estávamos muito interessados em ouvi-lo."

Fernando Negrão revela ainda que vão "extrair certidões das notificações enviadas pela CPI e da correspondência trocada com os advogados de José Guilherme para remeter ao Ministério Público". O jurista frisa que serão os procuradores que terão de apreciar se há "um crime de desobediência".

Esta quarta-feira, a CPI enviou 30 perguntas por escrito para uma morada do empresário na Amadora, depois das duas tentativas falhadas de agendar uma audição em fevereiro. José Guilherme tem dez dias úteis para responder.

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