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Alpinistas que sobreviveram ao sismo no Nepal regressam este domingo a Portugal

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Pedro Guedes, o líder da expedição

Créditos: http://www.espacosnaturais.net/espacosnaturais/pedro-guedes/

Apesar das avalanches, os quatro portugueses que estavam nos Himalaias a quase 5500 metros de altitude não sofreram ferimentos.

Os quatro alpinistas portugueses que estavam numa expedição nos Himalaias quando se deu o sismo no Nepal conseguiram descer a montanha em segurança e chegaram esta quinta-feira a Katmandu, de onde partem no fim de semana para Portugal.

A expedição visava alcançar o cume Jomson Himal, a 6335 metros de altitude, mas os portugueses não conseguiram atingir o objetivo devido às avalanches e deslizamentos de terra provocados pelo terramoto que atingiu o Nepal no passado fim de semana, com uma magnitude 7,8 na escala de Richter.

Apesar das avalanches, que provocaram a morte a vários alpinistas, os quatro portugueses, que se encontravam a quase 5500 metros de altitude no momento do sismo, não sofreram ferimentos e conseguiram descer a montanha, tendo chegado à capital nepalesa Katmandu, disse ao Expresso Anabela Vieira, mulher do líder da expedição, Pedro Guedes.

A equipa de alpinistas formada por Pedro Guedes, Rodrigo Simões, Luís Almeida e João Gonçalo Silva - todos com vários anos de experiência em alpinismo, nomeadamente em montanhas com mais de 4000 metros - inicia este sábado a viagem de regresso a Portugal, onde chegará pelas 11h30 de domingo.

Os alpinistas estão entre os 26 portugueses que se encontravam na região na altura do sismo, que provocou milhares de mortos. De acordo com o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, pelo menos sete já conseguiram deixar o Nepal.

Mas há quem tenha decidido ficar para prestar ajuda humanitária aos milhares de feridos e desalojados. Heli Camarinha, um algarvio de 28 anos que chegou a Katmandu na véspera do terramoto, juntou-se a um grupo de voluntários de várias nacionalidades para apoiar os habitantes de aldeias destruídas nos arredores da capital, onde ainda a eletricidade e a água ainda não foram restabelecidos.

"Focamo-nos essencialmente em recuperar comida e outros recursos que serviam de reserva para os próximos meses e que estão agora soterrados no meio dos destroços das humildes habitações, criar abrigo e dar suporte emocional aos locais", disse ao Expresso, por email, o jovem engenheiro  que há três anos emigrou para a Austrália e que em janeiro iniciou uma viagem de mochila às costas por vários países da região.

Depois de passar pela Indonésia e pela Tailândia, Heli Camarinha chegou ao Nepal no passado sábado, véspera do terramoto, e estava num hostel em Katmandu quando a terra começou a tremer. "Quando me preparava para descer o primeiro degrau das escadas do hostel ouvi um enorme ruído como que o de um forte trovão e logo de seguida senti todo o edifício a abanar intensamente ao ponto de ter alguma dificuldade em encontrar o meu equilíbrio. Enquanto descia, apercebi-me da queda de vários elementos da infraestrutura do edifício, mas consegui chegar ao rés-do-chão, onde permaneciam já alguns clientes. O choque e o medo era claro no rosto de todos. O terramoto sentiu-se por uns bons segundos", relata.

Logo no primeiro dia após o sismo, Heli voluntariou-se para ajudar num hospital da capital nepalesa onde as equipas médicas e de enfermagem não chegavam para acudir aos milhares de feridos provocados pelo terramoto. Pretende ficar pelo menos mais três semanas como voluntário. "Para a maior parte dos nepaleses, a riqueza está na relação entre as pessoas, independentemente do seu sistema de crenças. Isso ficou claro pela maneira generosa, simples e alegre com que nos trataram e com que se relacionavam connosco no meio da destruição. No final de contas, não somos nós que os ajudamos, mas eles que nos ajudam com uma grande lição de vida".